Estudos e trabalho

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No início de 1926, o então Ministro da Justiça, Affonso Penna Jr., visitou o edifício em que funcionou a Colônia de Alienados, no Galeão, cujas instalações foram adaptadas para que lá fosse estabelecida a Escola João Luiz Alves, antiga “Escola de Reforma”. Foram visitados o edifício principal, a capela e as oficinas, que acabavam de passar por grandes reformas. Com as providências que foram tomadas, seriam atendidos os menores delinquentes, reabilitando-os através do trabalho e dos estudos.

A chamada “Escola de Reforma” utilizaria o antigo convento dos frades de São Bento, na seção destinada aos homens, que tinham sido removidos para uma fazenda em Jacarepaguá. Era intenção do Ministro da Justiça estabelecer um convênio com
o Comando da Escola de Aviação Naval, que havia sugerido acolher os “menores de melhor procedimento” nas suas oficinas, para que, deste modo, tivessem também uma formação profissional. Inicialmente, a Escola de reforma seria, em termos administrativos, uma seção da Escola 15 de Novembro, situada em Quintino.

A inauguração da nova escola ocorreu em novembro de 1926, contando o prédio com dormitórios para 150 menores e um refeitório capaz de atender até 200 alunos. Com a transformação do antigo prédio, o estabelecimento passou a contar também com oficinas de ferreiro, marcenaria, carpintaria e sapataria, devidamente equipadas. O ensino ministrado correspondia ao antigo Ciclo Primário, sendo de caráter obrigatório para todos os alunos. Os artefatos produzidos nas diversas oficinas eram comercializados e um terço da arrecadação era destinado à formação de um pecúlio, mediante depósito na Caixa Econômica federal e entregue a cada aluno quando de sua saída do estabelecimento. Embora os menores internados tivessem sido condenados pelo Juizado de Menores, devendo ali, cumprir uma sentença, nada havia que se pudesse comparar a Escola João luiz Alves daquela época com um estabelecimento prisional.

Com as mudanças decorrentes após a revolução de 1930, e a designação de um novo diretor, a situação da escola a partir de 1937 agravou-se, sendo motivo de críticas feitas através dos órgãos de imprensa. Segundo o noticiário da época, ”A Escola encontra-se em franca decadência moral e material, caminhando a passos largos para um extremo oposto a sua finalidade”. Tal situação foi revertida somente em 1941, com a construção de um novo prédio e a mudança de direção.

Em novembro do mesmo ano, foi criado o Serviço de Assistência aos Menores (SAM), que passou a administrar todas as escolas correcionais. A Escola João luiz Alves passou por grandes reformas, com a construção de novas oficinas, recebendo jovens desvalidos, que recebiam formação escolar e profissional. Com a extinção do SAM, a responsabilidade administrativa da escola a partir de 1964 passou a ser feita através da funabem, responsável pela formulação e implantação da Política Nacional de Bem Estar do Menor, que a transformou novamente em estabelecimento correcional.

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