O Labirinto

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Até os dias atuais é comum encontrarmos alguém que não resida no Jardim Guanabara totalmente perdido, em busca de determinado endereço. Tal situação é plenamente justificável, uma vez que o traçado das ruas parece ter sido projetado de modo proposital a criar um autêntico labirinto, com curvas intencionais e quase intermináveis.

Para se entender a justificativa de tal projeto, é necessário conhecer um pouco mais da história do bairro: de acordo com o “Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro”, em 1898, a Grande Olaria Santa Cruz, na Ilha do Governador, já era de propriedade do Coronel Elias Antonio de Moraes, que, no ano de 1903, a vendeu para a empresa paulista Companhia lavoura e Colonização de São Paulo. Durante aquele período a empresa forneceu grande parte do material utilizado nas obras de reforma da cidade do Rio, na administração de Pereira Passos. Com a redução no volume das obras, parte da unidade fabril acabou ociosa, causando prejuízos à empresa.

Poucos anos depois, o presidente da Companhia Cerâmica Santa Cruz, Joaquim Sampaio Vidal, que tinha sido Ministro da Fazenda no governo de Arthur Bernardes, decidiu encerrar as atividades da empresa e lotear as terras, cujo primeiro projeto de urbanização apresentado à Prefeitura data de 1936, com o nome de Jardim Guanabara. O projeto foi elaborado pelo engenheiro paulista Jorge de Macedo Vieira, iniciado em 1925, baseado no conceito de “Cidade Jardim”, influenciado pelo britânico Richard Barry Parker, projetista da primeira Cidade Jardim da história, localizada em letchworth, ao norte de londres. Os dois trabalharam juntos no Brasil entre 1917 e 1919, na “Companhia City of São Paulo”.
O loteamento do Jardim Guanabara seria complementado por aquele do Jardim Carioca, projetado por Paulo Amaral, segundo a mesma filosofia.

Segundo tal projeto, para um maior aproveitamento da área disponível, o traçado das vias acompanhava os aclives e declives do terreno, a fim de se adaptar ao relevo local, onde a única área plana era aquela situada nas proximidades da antiga fábrica de produtos cerâmicos. Tal procedimento permitia que os lotes fossem bastante diferenciados, evitando uma massificação dos projetos arquitetônicos, porém criava um autêntico labirinto no loteamento. Por sua vez, os lotes seriam demarcados por cercas vivas, com tipos determinados pela Companhia Imobiliária, evitando­-se desta forma o uso de muros opacos, o que como todos sabem, não veio a acontecer…

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