José Moraes, nosso Comodoro, abre seu coração e nos conta algumas passagens de sua vida

Em 1991, há 30 anos, juntamente com a Chapa Novos Ventos, José Moraes assumiu a direção do Iate

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Jornal GOLFINHO – O que o senhor tem a contar de mais pitoresco, relevante e complicado, desse período, juntamente com os Diretores e Conselheiros?

JOSÉ MORAES – Acho, sinceramente falando, que o assunto mais importante foi atendido logo no primeiro ano. O Iate tinha só de 350 a 400 sócios ­ e alguns inadimplentes, além de não pagarem, continuavam frequentando o clube. No primeiro dia após a nossa posse, eu, os diretores, conselheiros, meus irmãos e filhos fizemos uma ordem de choque… sofremos algumas ameaças, mas, a partir daquele dia, o clube começou a se transformar no mais familiar do Rio de Janeiro, com uma segurança extremamente efetiva. Sessenta dias depois, esse problema já havia desaparecido. Durante esses 60 dias, até ameaças com armas nós sofremos. Entretanto, além de não entrarem no clube, algumas dessas pessoas acabaram por ser denunciadas à 37ª D.P., respondendo por tentativas de crime. Mas nosso grupo, firme e determinado, não permitiu a entrada de nenhum daqueles aproveitadores.

Jornal GOLFINHO – Por falar nisso, conte-nos um pouco sobre a vinda do senhor e de sua família para vir morar aqui na Ilha e o porquê de vocês terem se apaixonado tanto pelo nosso bairro e pelo Iate, em especial.

JOSÉ MORAES -­ Meu caro Alzir e associados… Meu bisavô era o presidente da Federação das Indústrias do Piauí. Na cidade de Parnaíba e em algumas outras, ele mantinha uma empresa bem estruturada, entre as principais indústrias do Nordeste.
Meu avô, meu pai e uns dois tios continuaram trabalhando muito também e a Moraes S.A. e a Moraes Navegação Costeira S.A. rapidamente iam crescendo, principalmente com a desenvoltura que tinham meu avô, Zeca Correia, e meu pai, José Bastos Correia, o sempre querido Zequinha Correia, um verdadeiro baluarte em defesa do crescimento rápido e sólido de nossa empresa. Como esse pai querido pensava muito alto, logo montou a Indústria e Comércio DUNORTE, aqui na Ilha, ao lado da Shell, onde tínhamos um cais próprio, que recebia os navios vindos do Piauí, com a nossa matéria ­prima principal, o óleo de babaçu. Tínhamos um parque industrial diversificado, em que uma instalação Mazzoni, importada da Itália, produzia os nossos sabões prensados. Além dos sabões, produzíamos o nosso carro ­chefe, a Gordura de Coco DUNORTE, detergentes, sabonetes à base de glicerina, cera para assoalhos à base de carnaúba, para limpeza e brilho, velas e muitos outros. A DUNORTE, em cinco anos, tornou­-se a empresa mais conceituada do ramo no Rio e uma das mais conceituadas do Brasil.
Eu e meu irmão Luiz Carlos, ainda bem novos, fomos internados num excelente colégio, o Cataguases, na cidade do mesmo nome, em Minas Gerais, e que era um colégio exemplar. Lá ficamos internados por dois anos. Quando voltamos, fizemos o ginasial e o científico nos Colégios Olavo Bilac e Governador… e assim fomos nos apaixonando cada vez mais pela Ilha. Mas sem deixar de amar a insubstituível e eterna cidade de Parnaíba. De lá, poucos minutos nos separavam dos lençóis Maranhenses e das praias paradisíacas do litoral piauiense. Infelizmente meu pai sofreu um infarto fulminante e faleceu, aos 46 anos, no auge de um sucesso estrondoso na área da indústria e do comércio. Ele acabou nos proporcionando, bem cedo, essa história maravilhosa de crescimento e competência, que em breve pretendo contar toda em detalhes.

Jornal GOLFINHO – Como o senhor entrou para a política? Sabemos que o início foi através de três eleições consecutivas para vereador, líder do Governo, Secretário de Esportes – tendo, reconhecidamente, implantado o maior programa brasileiro de incentivo ao esporte – e acabou naquilo que os políticos chamam de paraíso, que é ser membro do Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro por 16 anos. Certo?

JOSÉ MORAES -­ Acredito que logo depois do ginásio e científico, indo para os Estados Unidos e ter completado vários cursos na área de Administração na Universidade de Miami e no Miami Education Center. No momento, por coincidência, estava sendo implantado lá o nosso futebol, chamado de soccer por eles. Tive a felicidade de ter me tornar o grande craque do soccer, jogando pela Universidade de Miami e convocado para as Seleções de Miami, Flórida e Estados Unidos. Me tornei, desculpem, o ídolo do nosso futebol, fazendo às vezes cinco ou seis gols por partida, porque os norte­americanos eram jogadores horríveis e os sul­americanos e europeus também. No Brasil, eu passei minha vida praticando futebol, jiu-­jítsu e automobilismo, sempre acompanhado de meus irmãos. Como naquele tempo éramos atletas ­ não fumávamos, não bebíamos, não usávamos drogas ou tínhamos qualquer outro vício ­, claro que a nossa preparação física era top ten, lá nos Estados Unidos.
Passei mais dois anos fazendo um curso de Marketing e de Exportação no maior centro dessas áreas, em Turim. Ao voltar para o Brasil, assumi uma diretoria na DUNORTE, mas, depois de um ano, meu pai faleceu. Acabamos vendendo, quase que obrigados, a nossa participação societária na empresa, porque quem comanda uma S.A. são os sócios que detêm as ações com direito a voto. Na sua maioria, são verdadeiros carniceiros das sociedades. Assim, depois de 30 anos de meu pai ter montado esse parque industrial e de ter distribuído essas ações por diversos parentes e amigos, quando fomos ver… só tínhamos 40% dessa sociedade. Tudo por bondade daquele coração imenso, que ia trazendo do Piauí primos, outros parentes, etc., e também ia distribuindo um pedacinho da empresa que criou. E, ao falecer, tão cedo, não tivemos outra solução: tivemos que negociar a nossa parte por um valor bem menor do que o real. Na vida, o que sempre me trouxe mais dor foi ter que conviver com pessoas ingratas, desleais, e com aquelas que estão sempre pensando unicamente nelas … e esquecem que os amigos nós escolhemos ou nós fazemos. Portanto, não deveriam viver assim, pensando apenas em si próprios. A injustiça e a deslealdade me trazem muita tristeza. Mas o mundo é assim mesmo. Tudo bem…

Jornal GOLFINHO – E daí para a frente, Comodoro?

JOSÉ MORAES -­ Depois de alguns anos desenvolvendo marcas e criando negócios, fui convidado pelo Governador Alberto Silva, do Piauí para assumir uma Secretaria com bastante destaque, a Secretaria para Assuntos Internacionais. Fizemos alguns projetos de marketing, buscamos alternativas com empresas nacionais para desenvolver alguns projetos no Piauí. Nessa época, fui convidado pelo Senador Renan Calheiros, o Deputado Cleto Falcão e o jornalista Cláudio humberto para me inserir no grupo que acabou elegendo o Collor à Presidência da República. Logo depois, ganhei, no Rio, três eleições consecutivas para vereador, exerci a liderança do PFL e do PMDB, do Governo César Maia e fui Secretário de Esportes do Prefeito Conde, época em que implantamos o maior programa de esportes do Brasil. Terminei sendo indicado, pela primeira vez na história brasileira, para preencher uma vaga no Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro, como Conselheiro, o que para mim é uma marca que nunca poderei esquecer: sou o único Conselheiro dos Tribunais de Contas brasileiros eleito por unanimidade, com votos da direita, da esquerda e do centro.

Jornal GOLFINHO – Como praticante de esportes o senhor também tem muitas histórias para contar, acredito…

JOSÉ MORAES ­ Nunca é bom esquecer que, quando deixamos a DUNORTE, éramos patrocinados pelo Governo Brasileiro, através da Embratur, onde tínhamos como piloto principal Marcos Moraes e, como reserva, o luiz. A mim cabia toda a administração da equipe, com o objetivo de promover as regiões turísticas brasileiras no exterior, o que foi um imenso sucesso, porque nem o Emerson, o Piquet e nenhum outro piloto brasileiro foi patrocinado diretamente pelo Governo brasileiro. Nessa época eu era piloto oficial da equipe Hollywood, da Souza Cruz, na Fórmula Ford. E com meus irmãos, Marcos e luiz, pudemos vencer várias provas importantes nos calendários nacionais e internacionais.

Jornal GOLFINHO – E qual foi o resultado diso tudo?

JOSÉ MORAES -­ Infelizmente, aquele que seria campeão mundial de Fórmula 1, meu irmão Marcos Moraes, sofreu um acidente seríssimo na cidade de Snetterton, na Inglaterra, e resolvemos, então, ficar no Brasil. Vivemos momentos difíceis com o acidente gravíssimo que o Marcos sofreu e outras situações de algumas empresas que tínhamos no Brasil, que eram gerenciadas por incompetentes totais. Nós éramos muito jovens…

Jornal GOLFINHO – E na política, Comodoro?

JOSÉ MORAES -­ Eu, pessoalmente, na política, só fiz amigos, entre os quais quatro Presidentes da República, dezenas de governadores, prefeitos, senadores, deputados, vereadores… Mas não posso deixar de reconhecer que tive muita sensibilidade para trilhar esse caminho. O que fiz, na minha opinião, com bastante competência, carinho e responsabilidade pública. E também pude trazer para a Ilha do Governador todas as obras estruturais e tantas outras. O insulano que
me acompanha tem certeza do nosso trabalho e os políticos sabem como lutei pela nossa querida Ilha.

Jornal GOLFINHO – E no esporte, por que razão o senhor é tão querido por atletas, jogadores de futebol, dirigentes, etc.?

JOSÉ MORAES ­- Acho, modéstia à parte, que fizemos o maior trabalho na área do esporte em todo o Brasil. Foi uma época de ouro, com o nosso Prefeito Conde apoiando tudo. Ele abriu os cofres e compreendeu a necessidade de apoiar nossos atletas, para que ganhassem medalhas municipais, estaduais, nacionais, olímpicas, mundiais. Isso me fez ter uma passagem pelo esporte muito forte, que o Brasil inteiro reconhece isso, até agora. Sou ainda muitas vezes chamado de Secretário e perguntado por que não volto para a Secretaria. Minha resposta é um sorriso revelador…

Jornal GOLFINHO – E sua vivência de 16 anos como Conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro?

JOSÉ MORAES ­- Tenho certeza de que tive um desempenho muito bom. Quando assumi no TCM, tinha mais de mil processos, que me foram transferidos do Conselheiro anterior, que falecera. Quando acabei meu período, agora em março, não tinha um processo pendente em meu gabinete. No TCM, cheguei a Vice-­Presidente e cumpri com todas as minhas obrigações, como sempre fiz em toda a minha vida pública, tanto com as leis quanto com os Poderes Públicos, com os necessários cuidados e isenção ao julgar, com absoluta impessoalidade e prestigiando ao máximo o excelente quadro de profissionais que me acompanhavam, com uma ótima assessoria. Cumpri com minhas obrigações, principalmente, para com a minha consciência.
Fizemos um trabalho altamente profissional e imparcial. O nosso amigo Wagner Victer falou para mim, um dia ­ aliás, ele fala sempre isso ­, para que eu escrevesse um livro. Aí, comecei a pensar…

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