O Passado no Presente

O paraíso perdido: Praia da Bandeira

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Assinalada nos mapas desde 1770 como Praia da Tapera, o local teve seu nome mudado em 1919 para Praia da Bandeira. Ocupa uma área vizinha aos bairros de Co­cotá, Pitangueiras e Cacuia, com cerca de 7 mil habitantes, sendo considerado um dos menores bairros do Rio de Janeiro.

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Ateliê Flutuante, em foto de 1986

No final do século XIX, grande parte de suas terras, medindo 700 metros de frente por 3 mil de fundos, eram propriedade de Manoel Rodrigues Pereira Alves e de sua es­posa, Maria Máxima Alves. Um dos primeiros projetos de urbanização data de 1931, o do Jardim Miramar, que ocupava parte dos lotes de terrenos na orla marítima.

Na década de 1910, um de seus mais ilustres moradores era o Major Dias Jacaré, líder republicano que, após se dedicar à introdução do ciclismo no Rio de Janeiro, resolveu se afastar da política, montando uma residência no final da Praia da Tapera. Sua filha, Ubaldina Dias Jacaré, professora catedrática, que na ocasião atuava como docente na 8ª Escola Mista do 23º Distrito, situada na Praia da Tapera, 55, tinha por rotina realizar a formatura dos alunos e comemorar as datas cívicas. A Diretora da Escola, naquela ocasião, era a professora Ana Mendonça Barbosa, esposa do Capitão Pedro Barbosa.

Em 1919, o Major Dias Jacaré, entusias­mado com a reação dos alunos, resolveu construir a réplica de uma fortificação, tendo ao lado um mastro onde pudesse ser has­teado o Pavilhão Nacional. Contando com o auxílio da Light, que forneceu o poste com 12 metros de altura, e da loja “Park Royal”, que contribuiu com a bandeira, a pequena praça foi inaugurada em 19 de novembro de 1919. Na véspera, o Prefeito Sá Freire havia assinado um decreto mudando o nome de Praia da Tapera para Praia da Bandeira.

No ano de 1923, a escola foi transferida para a Praia do Zumbi, 25, e, no ano seguin­te, recebeu a denominação de Escola Cuba.

Quanto ao canhão em ferro fundido exis­tente no local, consta ter sido um artefato abandonado na região da Freguesia, por ocasião da Revolta da Armada, e trazido para a Praia da Bandeira, já na década de 1930, por um dos membros da família Magioli, que residia nas proximidades. Segundo alguns moradores, na época da II Guerra Mundial, o canhão teria sido retirado do local e depo­sitado na pilha de sucata que foi montada na Praça Djalma Dutra, conhecida por “Pi­râmide”, lá permanecendo por algum tempo até ser recolocado em seu antigo suporte. A presença do canhão acabou fazendo com que a denominação de Ponta do Tiro, pertencente originalmente ao local onde funcionou a anti­ga fábrica de formicida, passasse para o local onde foi construída a fortificação.

Outro empreendimento que marcou pre­sença no bairro foi o Ateliê Flutuante, criado em 1972 pelo artista plástico Álvaro Xavier, quando resolveu mudar-se da Tijuca para a Ilha do Governador. Anos depois, um aluno comentou sobre a venda de um barco (ou o que restava dele), fundeado em um estaleiro na cidade de Niterói. Surgiu, então, a ideia de montar um ateliê flutuante, usando uma das partes do bar­co, que seria cortado em dois, ficando a parte que continha a propulsão adaptado para servir de rebocador.

Através de um empréstimo bancário, adquiriu a parte que lhe interessava e mandou fazer novos revestimentos, pisos e um telhado. A primeira pa­rada foi na Marina da Glória, onde ficou cerca de dois anos. Em 1984, o barco–ateliê foi rebocado para a Ilha do Governador, próximo ao Bananal.

No ano seguinte, mediante autorização da Ca­pitania dos Portos, a embarcação ficou atracada em um cais abandonado na Praia da Bandeira, onde permaneceu durante vários anos, servindo como centro cultural e escola de artes. Com o falecimento de Álvaro Xavier e a falta de apoio para a manutenção do barco, o mesmo acabou sendo destruído por vândalos, restando, atual­mente, apenas vestígios do antigo casco.

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