O Passado no Presente

O paraíso perdido: Pitangueiras

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Já citada em mapa de 1870 como tal, a Praia das Pitangueiras faz limite com os bairros da Praia da Bandeira, Cacuia e Zumbi, contando com cerca de 15 mil habitantes. Sua denomi­nação, segundo alguns historiadores, provém de Pytã-guera, um nome indígena da língua dos Temiminós, que quer dizer pedaço de terra alta encostado ao mar, nada tendo a ver com pitangas…

Praia das Pitangueiras - 1955

Praia das Pitangueiras, em foto de 1955, Já citada em mapa de 1870 como tal, a Praia cedida por Maria Magdalena Brito

Sua ocupação iniciou-se com a plantação de um grande canavial, em meados do século XIX, cuja produção podia alcançar a 400 pipas de aguardente por ano. Além deste empreen­dimento, existiu uma caieira, de propriedade de Pedro José Soares, desativada em 1913.

A região onde no final do século XIX se ins­talou uma fábrica de formicida era conhecida por Ponta do Tiro, vizinha ao local onde já no século XX foi colocado um canhão e que por isto acabou por tomar o nome do antigo logradouro. A parte central do litoral era conhecida como “Praia do Canto”, onde em 1882 encalhou o vapor “Santa Cruz”, que ficou conhecido como “Navio do Canto” e cujo desmonte acabou por ocorrer somente a partir da década de 1940.

No início do século XX, instalou-se na região a Primeira Escola Pública de Meninos, que em 1912 tinha como diretor Antônio Hilarião da Rocha.

Em 1883 foi fundada a empresa Cunha e Sá & Cia, destinada à fabricação de formicida, em uma instalação industrial situada na Ponta do Tiro. Em 1903, a empresa foi vendida a Alves Magalhães & Cia, que transferiu as instalações para a Praia da Guanabara, na Freguesia. Após algumas reformas, a fábrica da Ponta do Tiro foi ocupada em1909 por uma empresa formada pelos sócios Júlio Esteves e Viriato Bastos Scho­macker, que passaram a produzir a ”Formicida Schomacker”.

A partir de 1938 instalou-se na Praia das Pitangueiras o Colégio Santa Cruz, dirigido pelo Professor Rubens Coutinho de Brito, fundado no ano anterior e que havia funcionado inicialmen­te no Jardim Guanabara. Foi o primeiro colégio particular autorizado pelo poder público para funcionar na Ilha. O estabelecimento funcionou até 1959.

Em 1941, por iniciativa do Sr. Hugo Carnei­ro, proprietário de vários terrenos no local, foi inaugurada a Casa Pitangueiras, que passou a oferecer aos visitantes serviços de bar, confei­taria e armazém, além de um balneário onde os frequentadores da praia podiam efetuar a troca de roupas. Em um salão contíguo foram insta­ladas mesas de bilhar, o que atraia um grande número de frequentadores.

Ainda na via principal, começou a funcionar, na década de 1940, o Clube Balneário Pitanguei­ras, que passou a promover os primeiros banhos de mar à fantasia na região. No mesmo local foi inaugurada, anos depois, a sede da Associação de Moradores da Ilha do Governador, a Amig.

Durante a década de 1950, com o surgi­mento da prática do esqui aquático, a Praia das Pitangueiras tornou-se um ponto de encontro dos praticantes do novo esporte. Suas águas tranquilas e limpas justificavam plenamente a escolha. Os iniciantes utilizavam um recurso bem interessante, para que os espectadores que se aglomeravam junto à praia não testemunhas­sem os tombos inevitáveis: iam de lancha até a parte leste da Ilha Dágua, que ficava na parte oposta à praia, e lá davam os primeiros passos, ocultos dos curiosos.

Pertencente ao bairro das Pitangueiras, o conjunto residencial denominado “Vila Paname­ricana”, localizado na Estrada do Rio Jequiá, foi construído para atender aos trabalhadores da estiva, através de seu Instituto de Previdência – Iape, o qual, posteriormente, foi incorporado ao Iapetc.

Inaugurado em 1945, ainda sob o impacto da II Guerra Mundial, teve como símbolo o “V” da vitória. Cada bloco, de duas residências, possuía na fachada, em uma placa esmaltada, o nome de um dos países das Américas ao lado de sua bandeira.

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