O Passado no Presente

O paraíso perdido: Jardim Carioca

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O Jardim Carioca ocupa uma área central da Ilha, limitando-se com Portuguesa, Tauá, Moneró, Cocotá, Praia da Bandeira, Jardim Guanabara e Cacuia, contando com cerca de 30 mil habitantes. Sua origem data de setembro de 1929, quando a Companhia Geral de Habita­ções e Terrenos teve aprovado pela prefeitura do Distrito Federal a autorização para lotear uma extensa área, que abrangia desde parte do Cocotá até a Praia do Dendê, bem como a região conhecida por Grota Funda, até a atual Estrada do Galeão, cobrindo uma área de quase dois milhões de metros quadrados. O projeto de urbanização foi creditado a Paulo Amaral.

Jardim Carioca - Ruas 22 e 24- 1938

Ruas 22 e 24, em foto de 1938

Com o decorrer do tempo, o loteamento original foi dividido em partes, recebendo deno­minações diversas: Jardim Carioca – Balneário; Jardim Boavista; Jardim Maracajá e Jardim Mi­ramar. Dentre os objetivos da empresa estava a construção de um hotel para turistas, que seria localizado no ponto culminante da Ilha, no topo do Morro do Dendê. Denominado de “Hotel da Ilha”, jamais saiu do papel. No local, foi constru­ída na década de 1950 uma caixa d’água. Para estimular a venda de seus terrenos, a empresa, além de doar terrenos para a construção de órgãos do serviço público, como o terreno em que foi construído o Dispensário da Ilha, atual Hospital Paulino Werneck, oferecia aos futuros compradores transporte, passeios e almoço em sua sede, no Cocotá.

Em março de 1938, a Caixa de Aposenta­dorias e Pensões em Trapiches e Armazéns abriu concorrência pública para a construção de 24 casas, para seus associados em terre­nos do Jardim Carioca. Posteriormente foram acrescentadas mais 26 residências. A Pedra fundamental do conjunto residencial contou com a presença do Ministro do Trabalho, Waldemar Cromwell do Rego Falcão, que, na ocasião informou que os imóveis seriam vendidos mediante prestações mensais de 90 mil réis, corrigidos pela taxa de 6% ao ano, durante 20 anos. No mês seguinte, a admi­nistração da CAP construiu mais 25 casas.

Com o intuito de incentivar a procura pelos imóveis, informava-se, na ocasião, que as residências eram “confortáveis e higiênicas, com sala, dois quartos, cozinha, banheiro, varanda e jardim, sendo entregues mobi­liadas e dotadas de um moderno aparelho rádio-receptor”. Pela primeira vez é men­cionado o nome do conjunto residencial: Vila Operária Waldemar Falcão.

Após dois adiamentos, a Vila foi inau­gurada em 15 de novembro de 1938, em solenidade que contou com a presença do Presidente da República, Getúlio Vargas. A recepção à caravana presidencial ocorreu no antigo coreto da Praça Manguretá, cuja construção é anterior a construção da Vila Operária.

Em 1940 o Instituto da Estiva comunicou ao Ministério do Trabalho ter aberto concor­rência pública para a construção de 43 casas destinadas a residência de seus segurados, em terrenos situados na Vila Guarabu. O novo conjunto residencial, inaugurado em 1941 recebeu a denominação de “Vila dez de novembro”. Por estar afastado em cerca de 2 quilômetros do serviço de bondes, o Instituto da Estiva conseguiu, junto ao Jardim Carioca, a extensão dos serviços das jardineiras, que passaram a transportar os novos moradores até o Cocotá.

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