O Passado no Presente

O paraíso perdido: Galeão

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A denominação do local remonta ao século XVII, quando foi lançado ao mar o galeão “Pa­dre Eterno” (navio de carga à vela, com bordo elevado), construído em um estaleiro montado naquela região da Ilha. No final do século XVII, funcionava no Galeão o Engenho Nossa Senhora da Candelária, cujo proprietário, Manuel Fer­nandes Franco, fez doação das terras aos frades beneditinos. Segundo a demarcação, realizada em 1662, os terrenos correspondiam a mais de 16 milhões de metros quadrados.

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Aviação Naval no Galeão, em foto de 1933

Com a vinda de D. João VI para o Brasil, o abade beneditino Frei João da Madre de Deus mandou construir um palacete para que o mo­narca tivesse um local para descanso. A partir de 1811, toda a região passou a fazer parte da Coutada Real, ocasião em que foram restringi­das as atividades de caça por parte dos morado­res locais. Para manter em cativeiro os animais destinados à caça, foi construído um prédio na região das Flexeiras e que, anos mais tarde, foi adaptado de modo a servir como cadeia. A construção sobreviveu até meados da década de 1950, quando foi demolido durante uma das obras de expansão do antigo aeroporto.

Em 1888 foi designada uma comissão para elaborar um Plano Geral de Assistência Pública, que resultou na criação de uma co­lônia de alienados, no Galeão. Na ocasião, o Ministro da Justiça, em visita ao abade da Ordem de São Bento, recebeu em forma de doação o convento situado na Ilha que, se­gundo informações, poderia receber cerca de 300 internos. Fazia parte da doação a Igreja de Nossa Senhora de Nazareth, situada pró­ximo ao convento. No mesmo ano, o Barão e Baronesa de Itacurussá doaram um grupo de edifícios situados na Ponta do Galeão, que deram origem a uma segunda colônia: a Conde de Mesquita.

A partir de 1910, surgiram as primeiras po­lêmicas em torno da propriedade dos terrenos do Galeão. Na virada do século, o Mosteiro de São Bento começou a disputar com a União o direito a posse dos terrenos, visando receber uma indenização referente à desapropriação dos terrenos situados no Galeão, onde se instalaram as duas colônias de alienados.

A partir de 1924, com a mudança da Aviação Naval para a Ponta do Galeão, a paisagem local sofreu grandes alterações. As estruturas em aço, existentes até hoje, foram transportadas desde o porto de Hamburgo, na Alemanha. Como ainda não existia uma rede elétrica para abastecer a Escola de Aviação Naval, o Ministério da Marinha fundeou, na Ponta do Galeão, o casco do navio “Javaly”, cuja central geradora passou a alimentar os prédios e oficinas. Os prédios pertencentes à aviação naval foram utilizados a partir de 1949, pelo Aeroporto Internacional.

Para delimitar a área ocupada pela Aviação Naval, foi construído um muro que pratica­mente cortava a Ilha, da Praia dos Gaegos até a do Engenho Velho. Restos desta construção, localizados nos fundos do Colégio Capitão Lemos Cunha, ainda resistem ao tempo.

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