O Passado no Presente

O paraíso perdido: Freguesia

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A Freguesia ocupa a parte leste da Ilha e faz limite com o bairro Bancários. Sua população atual é de aproximadamente 20 mil habitan­tes. A origem deste bairro remonta a 1710, quando foi criada uma paróquia na região, que tinha como sede uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição da Ajuda, situada nas terras pertencentes a Jorge de Souza.

Praa da Guanabara- 1929

Praia da Guanabara, em foto de 1929

No final do século XIX, o local já abrigava várias residências, estando a sua economia ainda baseada na agricultura e na produção de cal de mariscos. Um entreposto que funcio­nou até a década de 1930, além de escoar a produção agrícola, recebia várias mercadorias provenientes de pequenas cidades do fundo da Baía, que lá chegavam em embarcações à vela, conhecidas por “catraias”.

Segundo a historiadora Cybelle de Ipanema, além do aspecto religioso, a paróquia de Nossa Senhora da Ajuda teve grande importância política, devido ao tipo de eleição adotado a partir de 1824 e até 1881, que previa um su­frágio envolvendo duas etapas (ou dois graus), onde o primeiro era realizado junto às paró­quias. Nesta, os chamados “cidadãos ativos”, reunidos em assembleias paroquiais, elegiam os “eleitores de província” que, por sua vez, elegiam os deputados, senadores e membros dos Conselhos Gerais das Províncias.

O fato de o ato político ser ligado à igreja, não significava que as coisas sempre transcor­ressem de maneira pacífica. Nas eleições de 1880, por exemplo, o Major João Rodrigues Carrilho, insatisfeito com o andamento dos trabalhos, comandou um grupo de indivíduos que interrompeu as eleições, impedindo que os cidadãos continuassem a votar, agrediram os mesários e deram fim ao alistamento. Em visita à Ilha pouco depois da inauguração da ponte de atracação, o Prefeito Pereira Passos verificou que o Cemitério Municipal, localizado na direção da ponte de atracação da Freguesia, encontrava-se em péssimo estado de conser­vação, tendo então determinado que fosse realizada a transferência do mesmo para uma elevação destinada à tal, localizada no Cacuia.

Na realidade, existiam dois cemitérios: um pertencia à municipalidade desde 1896, e já estava com sua capacidade esgotada, sem condições para atender sua finalidade. O se­gundo, vizinho a ele, pertencia à Irmandade do Santíssimo Sacramento, estando bem cuidado e com todos os registros em ordem. Apesar dos esforços, até 1915 a transferência dos dois cemitérios para o Cacuia ainda não tinha sido completada, levando a Prefeitura a conceder um prazo para a conclusão dos trabalhos.

A Pedra da Onça, um dos locais que carac­terizam a Ilha, sempre atraiu a curiosidade popular. Para dar um destaque ao local foi cria­do, em 1926, o Parque da Pedra dos Amores, pois era assim que era chamada a formação rochosa defronte à Praia do Bananal. Alguns anos mais tarde, o Dr. Carlos Bastos, morador local de grande prestígio, resolveu criar um monumento que representasse a primeira de­nominação indígena da Ilha, simbolizada por um gato maracajá.

O primeiro a ser consultado sobre o assunto foi o artista Jordão de Oliveira, professor da Escola de Belas Artes, que declinou do pedido para a elaboração de uma escultura. Porém, lembrou-se de outro artista, Galdino Guttmann Bicho, que foi prontamente procurado pelo Dr. Carlos Bastos. Após ouvir atentamente a des­crição do projeto, Guttmann Bicho convenceu João Zaco Paraná a executar a obra.

Em maio de 1937, durante uma série de eventos, foi finalmente inaugurado o monu­mento ao Gato Maracajá. A população, ao observar o aspecto do monumento, que pela forma e tamanho lembrava uma onça, passou a chamar o local de Pedra da Onça.

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