O Passado no Presente

O paraíso perdido: Cocotá (2)

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A partir de 1929, a Companhia Geral de Habitações e Terrenos loteou uma grande área entre as estradas do Galeão e do Dendê, indo até a Praia da Bandeira e parte do Cocotá, sendo esta parte explorada pela Companhia Territorial da Ilha do Governador.

Os lotes de terreno eram vendidos a longo prazo, sem juros, e os anúncios da época diziam que eram “um presente do céu, uma dádiva de Deus, um paraíso num Jardim”. As poucas residências construídas no início da ocupação eram classificadas como “casas de campo” e “bangalôs”. A empresa proprietária do lotea­mento Jardim Carioca possuía um escritório situado à Rua Capitão Barbosa, 124, quase defronte ao prédio da Companhia Telefônica, ladeado por palmeiras e vizinho a um córrego que nascia nas proximidades da Atual Rua Vis­conde Delamare.

Nos finais de semana era comum reunirem-se os visitantes e possíveis compradores para uma visita guiada ao bairro, após o que era servido um lanche na área externa. Para incen­tivar os futuros compradores, nas propagandas comerciais descavavam-se a facilidade de con­dução (bondes), comunicações (Cia. Telefônica) e Saúde (Hospital Paulino Werneck).

Em 1946, durante visita à Ilha, o então Se­cretário Municipal de Agricultura da Prefeitura do Distrito Federal, professor Heitor Grillo, após percorrer várias localidades, optou pela região do Cocotá para a construção de um Mercado Municipal, tendo em vista ser um ponto central e pela facilidade no desembarque das mercado­rias. O mercado foi inaugurado em maio dede 1949 pelo prefeito do Distrito Federal, Ângelo Mendes de Moraes.

Inaugurado em 22 de agosto de 1955, o Banco de Crédito Real de Minas Gerais foi o primeiro banco privado a se instalar na Ilha, lo­calizado na Avenida Paranapuã, 2145. Com isto, iniciava-se uma tradição de centro financeiro, quando outros bancos vieram a se instalar no bairro. Além do Banco de Crédito Real, funcio­naram no Cocotá os bancos Bandeirantes do Comércio; Banco de Crédito Pessoal, Banco do Estado de São Paulo, da Bahia e o BEG (mais tarde Banerj).

Vale lembrar que, até meados da década de 50, o então “Banco da Prefeitura” não possuía agência na Ilha. Os impostos eram quitados na “Coletoria da Prefeitura”, que funcionou, inclusive, em uma das lojas defronte à Rua Domingos Mondim, no Tauá.

Por existir nas imediações praias com me­lhores condições, a Praia da Olaria tinha pou­cos frequentadores, o que levou a Prefeitura a tomar algumas providências para melhorar o local. Em setembro de 1960, o projeto proposto pela Prefeitura já previa um aterro parcial, junto à orla, para que fosse criada uma área arbori­zada. Em 1963, o Governo Estadual, mediante dragagem de uma grande área, criou uma praia artificial na Enseada da Olaria, próximo à Ponta da Ostra. O local passou a receber uma grande quantidade de frequentadores, que apelidaram o local de “Castelinho”.

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