O Passado no Presente

O paraíso perdido: Cocotá (1)

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Com uma população aproximada de 6 mil habitantes, o Cocotá faz limite com os bairros Cacuia, Tauá, Bancários, Jardim Carioca e Praia da Bandeira. É um dos mais antigos núcleos populacionais da Ilha do Governador. Junto ao litoral, o bairro é limitado pelo local denominado anteriormente de “Ponta da Carne Seca”, junto à Praia do Barão, e a “Ponta da Ostra”, no en­contro com a Praia da Bandeira (antiga Tapera).

Praia da Olaria

Praia de Olaria

Sua ocupação iniciou-se com a implantação de uma caieira, no século XIX, que foi adquirida em 1891 pela Companhia Evoneas Fluminense e que, na ocasião, ocupava uma área de 75 mil metros quadrados. Nas proximidades da caieira existiu também uma olaria, de proprie­dade de Manoel Francisco Alves, o que poderia ter sido a origem da denominação primitiva do local: “Olaria”. Posteriormente, a antiga caieira passou para as mãos do Sr. Ramon Rodriguez y Rodriguez, que utilizou as instalações como depósito de materiais de construção, até ser negociada com o Major João Rodrigues Carrilho. Na ocasião, o Sr. Ramon inaugurou uma ser­raria, que daria origem à Casa Castor, um dos mais tradicionais estabelecimentos do bairro.

A partir de 1903, a Caieira do Cocotá passou a servir como ponto de referência, quando as barcas que se dirigiam à Praça XV de Novembro começaram a utilizar a atracação localizada em sua vizinhança. A precariedade de tal atraca­ção – que não possuía cobertura ou qualquer comodidade para os passageiros – foi bastante criticada na época, inclusive pelo fato de a bar­ca não poder encostar no píer, devido à pouca profundidade, obrigando aos passageiros a utilizarem um velho bote que os conduziam da atracação até a embarcação.

Em maio de 1920, foi lançada a pedra fun­damental da Capela de São Sebastião, na Praia da Olaria. Dois anos antes, surgia o Esporte Clube Cocotá, que viria a dar grande impulso às atividades sociais e desportivas na Ilha. Em 1922, inaugurava-se a linha de bondes elétri­cos, ligando a Ribeira à Freguesia através de uma única linha, com desvio para cruzamento no Cocotá, defronte a igreja. A sede da em­presa localizava-se na esquina da Rua Capitão Barbosa com a Estrada da Cacuia, em prédio que, embora descaracterizado, resiste ao tem­po. Em 1933, no prédio da Praia do Cocotá, 45, foi inaugurada a primeira estação telefônica da Ilha, que atendia, inicialmente, a 39 assinantes. Devido à necessidade de ampliação desta es­tação, em 1939, a mesma foi transferida para um prédio defronte ao escritório da Companhia Geral de Habitações e Terrenos, na Rua Capitão Barbosa, esquina com Tenente Cleto Campello, que havia sido inaugurada em 1932, pelo Pre­feito Pedro Ernesto, e na qual se destacava a residência do engenheiro Leopoldo de Capane­ma, que, em tempos mais recentes, abrigou o Educandário Thales de Mileto.

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