O Passado no Presente

O paraíso perdido (2)

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Dando prosseguimento à série comemorativa dos 450 anos da Ilha, apresentamos parte da história de mais um de seus bairros:

CACUIA

Existem várias opiniões quanto ao nome Cacuia, com alguns historiadores defendendo uma origem tupi: “mato que cai”. Já o profes­sor Valdir Luciano Pfeiffer da Silva, em seu trabalho sobre as congadas, informa que, no dialeto quicongo, “Kankuia” significa cemitério. Em mapas do final do século XIX não constam referências acerca do bairro, levando-se a crer que a nomenclatura ocorreu após a transferência do Cemitério Municipal da Freguesia para a atual Estra­da da Cacuia.

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Passagem sobre o Rio Jequiá, na Estrada, em foto de 1952

A denominação oficial “Cacuia” surgiu somente em 1911, quando a estrada de mesmo nome apareceu cita­da em um artigo da “Gazeta de Notícias”. Toda a região era um descampado corta­do por caminhos de barro que, posteriormente, ficaram conhecidos por Estrada da Cacuia e Estrada do Tenaro (atual Mileto Maciel).

O bairro se tornou mais conhecido a partir de 23 de janeiro de 1904, quando o antigo Cemitério Municipal da Freguesia foi transferido para uma elevação ao lado da Estrada do Tenaro, sendo designado para seu admi­nistrador o Sr. Salustiano Antônio Pereira Alves, a quem coube escolher o jazigo de número 1.

Um dos primeiros estabe­lecimentos comerciais da re­gião foi o armazém de secos e molhados, aberto em 1925, por Mileto Maciel. O armazém era dedicado à venda de mer­cadorias a varejo, escolhidas e pesadas junto ao freguês. O prédio, que já abrigou vários estabelecimentos, ainda resiste ao tempo.

Em 1928, mudava-se da Praia de São Bento para o Cacuia a família de Taufie Cessine Gazele, que adquiriu um armarinho na Estrada da Cacuia. Seus filhos, Mauricio e Jorge (Peixinho), também se estabeleceram no bairro, participando de mudanças que viriam a alterar pro­fundamente o comércio e o esporte local.

No ano seguinte, a Companhia Geral de Habitações e Terrenos obteve o registro para lotear uma área que recebeu a denominação de Jardim Carioca. Um trecho deste loteamento fazia parte da planta original do Jardim Guanabara, cuja região sul, a partir da Estrada do Galeão, permaneceu com a antiga denominação.

Correndo a céu aberto, o Rio Jequiá – com nascente na Rua Sardenha – descia pela Rua Muiatica e seguia através de parte dos terrenos que margeavam o lado par da Estrada do Galeão, cortando a Estrada da Cacuia em seu trecho inicial.

Para que se tornasse pos­sível o tráfego de veículos, foi construída uma ponte de madeira, revestida de saibro, que permaneceu em atividade até 1953, quando parte do rio foi parcialmente canalizado e construída uma ponte em concreto. Nos dias atuais, uma pequena parte do Rio Jequiá é visível naquele local, cercado por uma grade de proteção que foi retirada do canal do mangue.

Em 1935, foi inaugurado o Hospital Dispensário da Ilha, atual Paulino Werneck, em ter­renos doados pelo Jardim Ca­rioca. No entanto, foi somente a partir da década de 1950 que o bairro teve um impulso no que se refere ao comércio, com a inauguração da Casa Bom Pastor, do Magazine Governa­dor – do Sr. José Dias Ferreira –, da Eletrolândia do Cacuia, da Farmácia Boriloy – do Sr. Agenor de Almeida Loyola –, e do Colégio Olavo Bilac.

Na década de 1960, o Ca­cuia já tinha se consagrado como centro comercial da Ilha. Novos estabelecimentos comerciais foram construídos, como o Palácio da Ilha – do Sr. Martin Szydlow –, o Cine Mis­sissipi, a Lanchonete Missouri, a agência do Banco da Bahia e o Supermercado Merci.

Foi considerado como Ca­cuia as terras da antiga Fazen­da São Sebastião, abrangendo parte do antigo Jardim Naza­reth (Estrada da Bica e a Rua Ipiru) e a região de Marinha, incluindo a Colônia de Pesca Z-10, situação que ainda é questionada por muitos mo­radores.

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