O Passado no Presente

O paraíso perdido (1)

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Em homenagem aos 450 anos da Ilha do Governador, que irão transcorrer em 2017, nossa homenagem especial a todos os morado­res. No início do século XX, a Ilha tinha uma população aproximada de 5 mil habitan­tes, distribuídos em poucas localidades, classificadas, na época, como arraiais: Fre­guesia, Olaria (atual Cocotá), Zumbi, Santa Cruz (atual Jardim Guanabara) e Galeão. Com o passar do tempo, novos núcleos populacionais foram se estabelecendo ao longo dos caminhos e estra­das. Em 1981, a Ilha já con­tava com cerca de 145.000 habitantes, ocasião em que, através do Decreto 3.157 do Prefeito Júlio Coutinho, foi extinto o bairro Ilha e cria­dos 14 bairros: Bancários, Cacuia, Cocotá, Freguesia, Galeão, Jardim Carioca, Jar­dim Guanabara, Moneró, Pitangueiras, Portuguesa, Praia da Bandeira, Ribeira, Tauá e Zumbi.

A partir desta edição, iremos visitar cada um des­tes bairros e conhecer um pouco de sua história. Para não provocarmos ciúmes por parte dos moradores, segui­remos a ordem alfabética.

BANCÁRIOS

Ocupa uma faixa estreita entre a Freguesia e os bairros do Tauá e Cocotá, com cerca de 13.000 habitantes. Sua origem remonta ao ano de 1946, quando foi aprovado o projeto de urbanização do fu­turo bairro. No ano seguinte, a Empresa de Construções e Obras Rodoviárias (Ecor), com sede no Paraná, ampliou o loteamento, que passou a cortar a Ilha no sentido Norte-Sul, “da Praia das Pelônias às Praias do Barão e da Guanabara”, incluindo a Ilha do Mestre Rodrigues e as Pedras do Paulo.

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Em 1952, conjunto residencial, em construção

Em 1950, o Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Bancários (IAPB), mais tarde unificado com os de­mais órgãos de previdência, formando o INPS, resolveu investir na construção de moradias na Ilha. De uma primeira tentativa neste sen­tido, a partir de 1941, foram construídas 22 residências na Rua Iguatemi, na encosta do morro do Dendê.

Embora o projeto de 1946 já tivesse previsto o ater­ro de uma grande área de manguezal, seriam neces­sárias novas intervenções, de modo a permitir a aloca­ção de todas as residências agrupadas. A principal via do conjunto seria a Avenida AB, provida de um canal que servisse de escoamento para as águas de pequenos riachos que faziam parte da paisagem local.

Embora o término das obras e a entrega das resi­dências estivesse prevista para janeiro de 1952, isto não aconteceu. Uma série de imprevistos técnicos, agravada por uma parali­sação dos empregados que não recebiam os salários em dia, retardou ainda mais a inauguração, embora as inscrições para ocupação das residências tivesse sido ini­ciada no início daquele ano.

Devido ao atraso e a ne­cessidade de apresentar re­sultados, o Instituto dos Bancários – em uma atitude meramente política – inau­gurou o conjunto em 1952, embora algumas residências ainda estivessem em fase de acabamento e as instalações de água e energia elétrica sem ligações à rede pública. Devido ao movimento surgido no Sindicato dos Bancários, o IAPB pressionou a Ecor para que as providências fossem tomadas, de modo a permitir a ligação de uma rede de dis­tribuição de água. As críticas quanto ao o uso de tubos de cimento amianto para a rede de água – uma novida­de naquela época – seriam confirmadas pouco tempo depois. No entanto, as pres­sões políticas aumentavam e o IAPB em 28 de março de 1953 promoveu uma nova solenidade de inauguração, quando foram entregues as chaves simbólicas a 30 novos moradores, dando inicio a ocupação do novo bairro.

1 Comentário

  1. gilberto pereira disse:

    Parabéns a este grande jornal que sempre colaborou para a memória de nossa querida Ilha!!!
    Ainda mais depois que abriu este espaço para que nosso Grande Mestre, Jaime Moraes, pudesse nos presentear com todo o seu conhecimento de nosso bairro!
    Parabéns GOLFINHO E MESTRE JAIME MORAES!
    Viva a Ilha: 450 anos!