O Passado no Presente

O Colégio Mendes de Moraes

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Ainda sob o impacto do noticiário en­volvendo notícias sobre o Colégio Estadual Prefeito Mendes de Moraes, vamos recor­dar um pouco de sua história. Até o final da década de 1940, o aluno que concluísse o antigo Curso Primário (o que seria hoje do primeiro ao quinto ano), caso desejas­se continuar seus estudos no antigo “Curso Ginasial”, não restava outra solução a não ser estudar fora da Ilha, o que era motivo de preocupação para muitos pais.

Em janeiro de 1948, o Prefeito do Distrito Federal, General Ângelo Mendes de Moraes co­municou à população insulana o início das obras para a construção de um Ginásio Público, com nove salas, localizado na Freguesia, ocupando o quarteirão formado pelas ruas Jari, Pio Dutra, Arujá e Projetada. Estas obras foram iniciadas em maio daquele mesmo ano.

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Alunos do Ginásio do Colégio Mendes de Moraes, em foto de 1953

A inauguração do novo estabelecimento de ensino, que recebeu o nome de Ginásio Municipal Prefeito Mendes de Moraes, ocor­reu em 8 de junho de 1949. Uma vez que o ano letivo já havia sido iniciado, optou-se por matricular os alunos inscritos em um curso preparatório, capacitando-os para prestarem o Exame de Admissão no final daquele ano. O primeiro diretor designado para o Ginásio foi o professor Álvaro Moi­tinho Neiva. Curiosamente, por motivos puramente políticos, devido às eleições que iriam ser realizadas no ano seguinte, o ginásio teve uma segunda inauguração, em 17 de dezembro de 1949, em solenida­de que contou, mais uma vez, com a pre­sença do Prefeito Mendes de Moraes e do General Eurico Gaspar Dutra, Presidente da República.

Nesta primeira fase, o Ginásio, além das nove salas de aula localizadas no segundo pavimento, contava ainda com um consul­tório médico e dentário, refeitório, cozinha, oficina de encadernação e marcenaria, la­boratório, duas quadras de esportes ao ar livre e mais uma área coberta (transforma­da posteriormente em auditório). Um ex­tenso jardim gramado e ajardinado com­pletava o visual.

Segundo o modelo adotado na época, os alunos pela parte da manhã assistiam às aulas em salas-ambiente, uma para cada disciplina, e à tarde participavam de ativida­des extraclasse, tais como o Grupo de Can­to Orfeônico; o Grupo de Teatro, coordena­do pelo professor Stélio Alves de Souza; o Clube de Ciências, sob a responsabilidade do professor José Lacerda de Araújo Feio; o jornalzinho “O Maracajá” e, mais tarde, o Grupo de Bandeirantes, coordenado pela professora Vera David Sanson.

Os alunos da primeira turma de ginásio, além das disciplinas regulares, submete­ram-se, também, a uma prova de Quocien­te Inte-lectual (QI), a qual foi realizada em um sábado, pela manhã.

Alvo de muitas críticas, devido, principal­mente, à filosofia de ensino adotada, de­nominada de “Escola Ativa Direta”, adotada pelo professor Álvaro Neiva, o mesmo aca­bou sendo afastado de suas funções, assu­mindo interinamente a Direção o professor Geth Jansen, substituído pouco depois pelo professor Walfrido Leocádio Freire, que manteve a mesma filosofia educacional.

Nesta época, as atividades desportivas, coordenadas pelo professor João Vianna Barbosa de Castro e pela professora Amá­lia Watson Von Windheim foram bastante prestigiadas, organizando-se campeonatos internos, apresentações de ginástica rítmi­ca e passeios ciclísticos.

Em fevereiro de 1953, o professor Álva­ro Paes de Barros Filho, vindo do Colégio Visconde de Cairu, assumiu a Direção do Mendes de Moraes, ocasião em que o es­tabelecimento possuía cerca de 350 alunos matriculados. No final daquele ano, formou-se a primeira turma do Curso Ginasial e, para prosseguimento de seus estudos, foi criado o Curso Científico.

No ano seguinte, foram contratadas as obras de ampliação do prédio escolar, me­diante a construção de mais quatro salas de aula e vestiários para Educação Física. Para tal, a quadra de voleibol, situada nos fundos do prédio, foi sacrificada, sendo as obras concluídas em 1956. Neste ano, assumiu a direção do então Colégio Municipal Prefeito Mendes de Moraes o professor Geth Jansen.

A partir do incentivo recebido pelo pro­fessor Stélio Alves de Souza, o Grupo de Teatro, conhecido por GT, recebeu grande impulso, apresentando, semestralmente, peças que atraiam grande número de es­pectadores que lotavam completamente o auditório do colégio. Dentre as apresenta­ções, destacaram-se “Você já foi a Bahia?” e “O Suave Milagre”. Fizeram parte do GT, alunos que, mais tarde, se dedicaram à vida artística, tais como Benvindo Siqueira, Bete Mendes, Ângela Leal e Suzana Vieira. Com a saída do professor Stélio, assumiu o Gru­po de Teatro a professora Regina Carvalhal.

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