A Palavra do Comodoro

O amor de um pai por um filho é mais profundo do que o amor entre um homem e uma mulher

Palavra do Comodoro

Todos nós, pais e mães – e hoje me refiro ao pai exatamente homenageando o nosso dia, que esse ano será comemorado em 13 de agosto – aprendemos com a vida e com a convivência com nossos filhos que o amor que sentimos por eles é um amor que é, com certeza, imensurável.

Como vocês sabem, Deus colocou em meu caminho aqui pela Terra nove filhos, o que, convenhamos, nos dias de hoje é um fato diferenciado. Lembro-me de quando eu tinha 20 anos e três irmãos – Luiz, Marcos e Lúcia. Vivíamos ao lado do querido Seu Zequinha, nosso inesquecível pai, e de Dona Priscilla, aquela mãezona nordes­tina e cuidadora dos seus filhos, como especialmente as mulheres do Nordeste sabem ser. Nessa época, eu jamais poderia imaginar que um dia iria ter nove filhos.

Compreendia e via o trabalho que dávamos aos nossos pais, o sofrimento que mamãe tinha com uma simples febre em um de nós… e vivenciava o esforço, o carinho, o amor e a paixão que meu pai Zequinha mostrava, através de cores bem vivas, o tamanho do amor que ele tinha por nós.

Crescemos com esses exemplos. Numa família onde o pai e a mãe eram totalmente presentes, num ambiente de carinho absoluto, discipli­na, ordem e principalmente orientação, aprendemos a trilhar o caminho de nossas vidas. Cada um com seu jeito, com seus defeitos e virtudes, mas sempre muito unidos. Uma briguinha aqui e outra acolá nunca nos separaram nesses longos anos de vida que passamos com nossos pais. E aí falo principalmente de meu pai, que Deus quis levá-lo para seu lado com apenas 46 anos. Foi dormir ao lado de mamãe, como sempre fazia, e às 6 horas da manhã, que era a hora do seu despertar… esse momento nunca aconteceu. Estava literalmente sem vida, com a cabeça no travesseiro e o coração tomado por um infarto fulminante. Ali, naquele momento, acabava uma vida de sempre ajudar os outros, ricos e pobres, pretos e brancos, mulheres, homens, crianças… enfim, pai inigualável como ser humano, com o trabalho sendo a sua grande força na vida. Com suas inúmeras qualidades, já me fazia, àquela época, sentir como era inigualável o amor de um pai por um filho.

Hoje, depois de tanto tempo e tendo meus nove filhos – Marcus, Ri­ckson, Andriws, Rogger, Rorion, Rennan, Roberta, Raica e o nosso que­ridíssimo Cauã – que, com apenas cinco anos, já me fez até brincar de piquenique sentado com ele, na sala, ao lado de meus queridos netos: João Pedro, filho de Rickson, e Luiza, filha do Andriws, por um longo tempo, voltando a ser criança, tive a certeza de que o amor de um pai por um filho é realmente maior do que qualquer amor de um homem por uma mulher. Certamente porque sabemos que vamos ter que deixar a vida antes deles – e ficamos imaginando: com a nossa partida, como eles ficarão? E só essa dúvida já me traz um sofrimento angustiante e indescritível.

Feliz Dia dos Pais para todos.

JOSÉ MORAES

Comodoro

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