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Juíza da 2ª Vara da Infância visita a Casa do Índio, discorda de parecer do Ministério Público e designa Eunice Cariry como curadora das crianças e idosos

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Alzir Rabelo

Final feliz para a polêmica que envol­veu a Casa do Índio, seus abrigados e a diretora da institui­ção, Eunice Cariry, que a criou há meio século: após uma vi­sita ao local, em que se fez acompanhar de representantes de órgãos municipais, como a Secretaria de Saúde e a Subsecretaria da Pessoa com Deficiência, a ju­íza titular da 2ª Vara da Infância, Juventu­de e Idoso da Capital, Glória Heloiza Lima da Silva, deferiu a guarda provisória, em favor de Cariry, de cinco crianças e ado­lescentes indígenas lá residentes, “que estavam ameaçadas de serem transferidas para um centro de acolhimento de me­nores do Município”.

-Qualquer medida protetiva não poderia ser isolada, necessitava envolver toda a rede municipal – afirmou a juíza: “O Ministério Público pe­diu, de forma abrup­ta, busca e apreen­são dessas crianças, o que poderia prejudicá-las psicológica e fisicamente”.

A juíza da 2ª Vara da Infância determi­nou então uma ins­peção pessoal, feita por equipe técnica, o comissariado, “na raiz do problema, e resolvi conhecer de perto todas as crian­ças e até a Casa do Índio, onde eles se encontram”:

– Quando cheguei à Casa do Índio, percebi em primeiro lugar que eles vi­vem em família, em comunidade, estão extremamente vin­culados com laços de afetividade e cul­turais próprios da população indígena. A questão que está sendo analisada, na verdade, deveria ser vista no contexto em que eles vivem.

“Não observei violação de di­reitos. Observei ali vulnerabilidade financei­ra, mas violação de direitos eu não percebi.”

– Graças à rede pública, conseguimos aplicar medida de guarda, que foi
“Desta forma, garantimos a convivência familiar, que já
existia, porque na verdade a D. Cariry é integrante da família de cada
criança ali – e família no seu sentido lato, não estou me referindo a família
biológica, mas a família n o c o n c e i t o moderno, que é aquela pessoa
que cuida, que protege, que está próximo da criança… enfim, próximo
das pessoas.” deferida para Dona Cariry, que já exerce essa guarda; então,
eu só estaria regularizando uma situação que de fato já exerce.Primeiro, porque ela tem afetividade; segundo, porque ela cuida – e cuida de
uma maneira diferenciada. E não existe no Rio nenhum equipamento próprio e adequado para atender esse tipo de clientela – informou a
juíza.

“Desta forma, garantimos a convivência fa­miliar, que já existia, porque na verdade a D. Cariry é in­tegrante da fa­mília de cada criança ali – e família no seu sentido lato, não estou me referindo a fa­mília biológica, mas a família n o c o n c e i t o moderno, que é aquela pes­soa que cuida, que protege, que está próxi­mo da criança… enfim, próximo das pessoas.”

 

 

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