Foco na Ilha

Jogos na Portuguesa

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A Arena da Portuguesa foi bem vista pelos clubes do Rio e, em 2017, irá se tornar a casa do Flamengo! O maior clube do Brasil irá se instalar na nossa Ilha. Vi muitos amigos insu­lanos flamenguistas comemorando a parceria do rubro-negro com a Lusa, mas nem tudo são flores se não hou­ver uma logística bem elaborada. Va­mos viver dias de caos quando hou­ver jogos aqui, pois essas partidas, possivelmente, terão, em média, o dobro ou até o triplo de torcedores que normalmente vinham assistir os jogos do Botafogo este ano.

Claro que, em época de crise, qualquer grande evento é bem vin­do, em especial para o comércio local, mas é preciso organização e atenção nos problemas que podem acabar com a tranquilidade insulana. Até porque sequer foi realizada uma audiência pública para discutir os impactos e soluções, ouvindo os moradores.

Para jogos de pequeno porte não existe estádio mais agradável que o da Portuguesa, que já sediou, em 2005, partidas do Botafogo e do próprio Flamengo. O local tem uma arquibancada original ótima e foram colocadas ainda outras do lado do campo e atrás dos gols. Também houve melhoria na iluminação, mas acho que alguns princípios são funda­mentais, como envolver as torcidas do Flamengo, dizendo que, se não estiver funcionando bem, os jogos sairão do estádio e, consequentemente, da capital, por reclamação da própria população.

Temos que mostrar que isso será um legado permanente para a Portuguesa e para a Ilha. Os clubes que usam a arena devem mostrar alguma responsabilidade social, ou seja, parte do recursos teriam que ser aplicados em contrapartida aos impactos na reforma de praças, na criação e na manutenção de projetos esportivos nas comunidades caren­tes, especialmente no entorno (Por­tuguesa, Tubiacanga, Parque Royal e Galeão). Uma parte dos ingressos poderia ser doada para crianças e jovens de escolas municipais e esta­duais do bairro, oferendo a inclusão ao esporte.

Os jogos não devem acontecer em horários coincidentes com os de grande fluxo de entrada de moradores no bairro e, principal­mente, deve haver a organização de ambulantes, que já devem ser cadastrados e, claro, moradores do bairro. Deve haver o compro­misso da Prefeitura no aumento do efetivo da Guarda Municipal, reprimindo flanelinhas, estaciona­mentos irregulares e ambulantes, que já geraram caos nos jogos do Botafogo.

Para coibir a violência, o Governo do Estado deve ter o compromisso no reforço do policiamento no entorno, não só no estádio e nos dias do jo­gos. O Batalhão da Ilha, que já teve 950 homens, hoje está com pouco mais de 300 e não dá conta nem do bairro. Isto é um problema que pode crescer até pelas brigas depois dos jogos e, portanto, é necessário um quantitativo extra não só antes, mas depois dos jogos, já que muitos torcedores ainda ficarão no bairro, comemorando as vitórias.

O transporte também é outro ponto que precisa ser tratado, com a implantação de uma logística para criar uma integração, que pode ser até de van, com o pessoal do trans­porte local, e do BRT do Fundão. Todo acesso ao estádio teria que ser prio­ritariamente feito pela Estrada das Canárias, desafogando a Estrada do Galeão, diminuindo o impacto para o morador. Também é imprescindível a parceria como o comércio local e com os estacionamentos já regularizados, como supermercados e shoppings.

Fica, portanto, a torcida para que os prós sejam melhores que os con­tras. Mesmo sendo tricolor, desejo boa sorte para o Flamengo e para todos nós, insulanos. Que seja bom para todos!

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