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Invasores loteiam terreno da União na Ribeira e os vendem por 5 mil reais; apesar de denúncias contra a favelização, nenhuma medida efetiva foi tomada

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Os moradores da Ilha do Gover­nador – principal­mente os da Ri­beira – estão às voltas com um novo grande pro­blema: a faveliza­ção de um terreno da União, que está sob a guarda da Secretaria de Aqui­cultura e Pesca, órgão do Ministé­rio da Agricultura. Desde dezembro passado um grupo de aproveitadores vem invadindo o terreno, capinan­do o mato alto, delimitando lotes, com auxílio de fitas demarcadoras, e os vendendo por R$ 5 mil.

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Segundo denúncias de moradores das imediações, a entrada de caminhões com material de construção no terreno é frenética; alguns galpões das antigas empresas foram também invadidos e tiveram suas janelas arrancadas e substituídas por paredes de tijolos

O terreno fica na Rua Pires da Mota e fica vizinho à Casa do Índio. Ele foi sede da fá­brica da Gordura de Coco Dunor­te, que fechou em 1968. Depois pas­sou à propriedade da Petrobrás, que o locou para um grupo de empre­sas, que emprega­vam cerca de 200 trabalhadores. No segundo mandato do ex-Presidente Lula, um proje­to do Ministério da Pesca, então sob o comando do catarinense Altamir Gregolim, quis construir ali um terminal pesquei­ro, o que gerou forte revolta dos insulanos, que conseguiram, após uma renhida luta jurídica e política, que o então Pre­feito Eduardo Paes sancionasse um projeto proibindo definitivamente a sua construção na Ribeira.

Quando, tem­pos depois, o atu­al Prefeito Marcelo Crivella assumiu a pasta da Pesca, fez uma visita a esse terreno, em março de 2012, reunindo-se demo­craticamente com os moradores, para saber a opinião de­les sobre a destinação que deveria ser dada à área. Entre as opções surgidas estavam a construção de um centro de es­tudos voltado para a pesca ou a im­plantação de uma vila olímpica náu­tica. Alguns con­tatos chegaram, inclusive, a ser fei­tos com o Projeto Grael. Entretanto, Crivella precisou reassumir depois sua cadeira no Se­nado e o terreno continuou sem uso, guardado apenas por uma empresa de vigilância, con­tratada pelo Minis­tério. Mas, segundo informações de moradores da Ribeira, já há muito tempo esses vigilantes não são mais vistos fa­zendo a guarda do local.

Os moradores já se mobilizaram e pediram, em abaixo-assinados, providências às autoridades con­tra a favelização do local, inclusi­ve acionando o Ministério Públi­co. Na reunião do Conselho Co­munitário de Se­gurança da Ilha, realizado no dia 2 de favereiro no auditório do Colégio Lemos Cunha, o Supe­rintendente da Ilha, Daniel Bal­bi, cobrado pelos moradores, disse que o terreno é da União e que, por isso, fez con­tato com a Secre­taria de Aquicul­tura e Pesca, ór­gão do Ministério da Agricultura, sendo informa­do por eles que i r iam priorizar essa ocorrência e que a Polícia Federal, já acio­nada, iria agir, muito em breve.

Entretanto, até o fechamen­to desta edição (manhã de 6 de fevereiro), não tivemos conheci­mento de nenhu­ma ação no sen­tido de impedir a continuidade dessa invasão.

PARA DENUNCIAR: Os moradores pedem que todos acionem o Ministério Público Federal, em petição online, pelo Sistema Cidadão: http:www.mpf.mp.br/para-o-cidadao/sac

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Durante a última reunião do Conselho Comunitário de Se­gurança da Ilha, dia 2, no auditório do Colégio Lemos Cunha, diversos insulanos se pronunciaram, pedindo providências contra a degradação do bairro, com a criação de mais uma fa­vela. Entre eles, a advogada Consuelo Machado, o engenheiro Paulo Rocha e o aposentado Renato Inham

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