Medicina & Saúde

Hospital Evandro Freire na UTI

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Prefeitura não envia repasses para o pagamento dos funcionários e dos fornecedores, mas, para encobrir os erros da Secretaria de Saúde, demite o diretor do hospital, Paulo Maurício

Os moradores da Ilha do Governador que precisam buscar socorro médico de emergência no Hospital Munici­pal Evandro Freire já estão sentindo na pele – literalmen­te – a acentuada queda no atendimento prestado. Com salários dos funcionários e pagamentos aos fornecedores atrasados, a qualidade caiu muito e várias pessoas não têm sido atendidas a contento (ver declarações abaixo).

A assessoria de comunicação da Secretaria de Saúde informou ao Jornal GOLFINHO que fez repasses às or­ganizações sociais nos dias 15, 25 e 29 de setembro, “de acordo com o cronograma estabelecido pela Secretaria Municipal de Saúde”.

Entretanto, até o fechamento desta edição, às 17 horas de 4 de outubro, não recebemos respostas da assessoria de imprensa à nossa solicitação, feita às 11h33m do dia 2 de outubro, sobre os valores repassados, o percentual que isso representava do total e quanto ainda faltava ser regularizado.

Fontes do hospital, que não quiseram se identificar por estarem proibidas de prestar informações à imprensa, informaram que o atraso ainda é grande e que no dia 29 não foi realizado nenhum repasse para o Evandro Freire.

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Evangelina dos Santos, doméstica: “Meu marido chegou aqui com muitas do­res na região dos rins e, além de demorarem muito para aten­der, depois que chamaram não tinham maca para deixar ele deitado, pois era a única posição que ele ficava sem dor. Achei um descaso to­tal, uma falta de respeito.”

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Sérgio Luiz, mo­torista: “O resulta­do da tomografia da minha mãe levou 30 dias para ficar pronto, uma demora absurda. Quando cheguei aqui para buscar o exame, ainda fiquei mais de uma hora esperando gravarem o exame no CD. É um descaso total com o contribuinte. O atendimento está péssimo.”

Desde a sua inauguração, em 1º de mar­ço de 2013, o Hospital Municipal Evandro Frei­re, administrado pela or­ganização social Cejam, teve na sua direção o conceituado médico Pau­lo Maurício Cabral. Du­rante esses quatro anos e meio, ele conduziu os serviços médicos de forma exemplar, sendo público o reconhecimen­to de pacientes.

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O médico-cirurgião Paulo Maurício Cabral – que tem MBA em Gestão Estratégica em Organizações de Saúde e curso superior de Comando e Defesa Civil pelo Corpo de Bombeiros – foi afastado da direção do Hospital Evandro Freire por reclamar dos atrasos constantes nos pagamentos dos funcionários e fornecedores

No entanto, a partir da transformação da UPA do Cocotá em ex­clusivamente pediátrica, em abril de 2016, os usuários desse pronto atendimento também correram em massa para o Hospital Evandro Freire, superlotando-o. Nessa ocasião, o diretor Paulo Maurício alertou que, não tendo como expandir a área física do hospital e nem como comprar mais equipa­mentos e contratar pro­fissionais, a tendência era de que a excelência no atendimento ficasse prejudicada, o que de fato ocorreu.

A gota dágua foi a crise financeira en­frentada pela Prefeitu­ra neste ano, que fez com que os repasses financeiros previstos no contrato com a Cejam atrasassem bastante. Sem dinheiro para pa­gar os funcionários e os fornecedores, Paulo Maurício conseguiu se­gurar a insatisfação de todos por algum tem­po, zelando para que o atendimento ao público não fosse prejudicado. Mas em agosto último os funcionários foram às ruas, protestar na Estrada do Galeão con­tra o descaso da Pre­feitura. Como diretor, o médico Paulo Maurício fez diversas gestões para que a Secretaria de Saúde normalizasse os repasses de verbas, o que, aparentemente, desagradou à Secre­taria de Saúde, que solicitou à Cejam o seu desligamento da dire­ção do Evandro Freire.

Em nota, a Secreta­ria de Saúde informou ao Jornal GOLFINHO, no dia 29 de setembro, que o Dr. Paulo Maurício Cabral estava “sendo substituído e que o novo diretor, especialista em gestão, será apresenta­do ao corpo clínico nos próximos dias”.

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