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Histórias de barcas – Jornal Golfinho

O Passado no Presente

Histórias de barcas

O PASSADO NO PRESENTE (1)
Barca Martim Afonso, em foto de 1936

Barca Martim Afonso, em foto de 1936

No inicio do século XX, a Companhia Cantareira já vinha explorando o serviço de trans­portes marítimos para a Ilha. Era vantagem para a empresa a ligação da Ilha ao Largo do Paço porque as embarcações que utilizava já tinham se tornado inadequadas para a ligação entre o Rio e Niterói. A primeira posta em trá­fego foi a “Zumby” e, segundo comentários, era tão pequena que, se alguns passageiros, para fugir do sol ou da chuva, mudassem de bordo, a barca adernava de tal maneira que chegava a causar pânico. Por isso, foi retirada de circulação tempos depois. Ela tinha casco de madeira com duas proas e era movimen­tada por rodas de pás nas laterais. Em sua substituição, foi alocada a barca “Capital”, de uma só proa e movida por uma hélice. Em uma época em que não havia radares nem GPS, o capitão da embarcação, Mestre Calheiros, era conhecido por todos pela sua habilidade em conduzircom segurança, em pleno nevoeiro, a barca do “Caes Pharoux” até as atracações no Zumbi, Cocotá e Freguesia, utilizando ape­nas a precária bússola da embarcação e seu relógio de bolso “Roskopf”.

Só em maio de 1900 foi aberta a concorrên­cia para a construção de uma ponte de atraca­ção na Freguesia. Até então, o desembarque era feito por um grande caíque, coberto em uma das proas por um toldo de lona. O barco era puxado manualmente por um cabo, esten­dido desde a praia até um atracadouro, onde os passageiros desembarcavam. Era comum algum passageiro acabar na água. A atraca­ção da Freguesia foi inaugurada em 1903, com a presença do Prefeito Pereira Passos. A companhia mantinha duas viagens diárias: saindo às 8h10min da Freguesia, com escalas no Cocotá e Zumbi, e às 17 horas, com as mesmas escalas. A atracação no Cocotá era feita na “Ponta da Carne Seca”, ao lado da antiga caieira, mais ou menos onde hoje fica a entrada para o estacionamento da estação das barcas. O deslocamento entre a Fregue­sia e o Cocotá levava cerca de 10 minutos e, quando algum passageiro perdia o horário na Freguesia, podia caminhar pelo litoral, sem pressa, seguindo a Praia do Barão, e pegá-la no Cocotá. Em 1908, a empesa “Insular e Continental” estabeleceu uma linha para servir a Ilha, utilizando o rebocador “Therezopolis” e uma pequena lancha a vapor: a “Leopoldo Bulhões”. O rebocador possuía bordos muito altos e, ao encostar nas pontes de atracação, obrigava os passageiros a praticar verdadeiros malabarismos. Como a embarcação não podia atracar no Cocotá devido ao pouco calado, era preciso usar um pequeno bote para fazer o translado. Caso ventasse muito e o mar se tornasse agitado, era impossível aportar no Cocotá. A outra embarcação, a Leopoldo Bulhões, era muito pequena, transportando cerca de 10 passageiros e fazia a viagem das 17h30min para a Cidade, muitas vezes debai­xo da escuridão.

Na década de 1930, faziam a linha para a Ilha as barcas “Sétima” e “Visconde de Moraes”, construídas na década de 1910, com casco de madeira e movidas a vapor. Contando apenas com a bússola e a experiência do piloto, era uti­lizado um sistema de comunicação engenhoso: nos dias de forte nevoeiro, um funcionário ficava na ponte de atracação da Ribeira tocando um sino, que era respondido por um semelhante, instalado na barca. Conforme a intensidade sonora, era possível orientar a barca, de modo seguro, até a atracação.

Na ocasião, os “mestres” mais conhecidos eram Alberto e Jandiro, capazes de conduzir a barca com segurança em qualquer condição do tempo. Como a viagem poderia levar até uma hora, os passageiros aproveitavam o tempo para jogar “ronda” ou qualquer outro carteado, além, é claro, do par de dados. Visite nosso grupo no Facebook: Ilha do Governador – O passado no presente.

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