Urbanismo

Fim do impasse: foi arquivado o projeto do novo PEU da Ilha

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O Prefeito Marcelo Crivella encerrou uma discussão que se ar­rastava desde abril de 2015 e determinou o arquivamento do PEU (Plano de Estruturação Urbana da Ilha do Governador). O pro­jeto de lei 107/2015, que instituía o PEU, era de autoria do ex-Prefeito Eduardo Paes e decorria da Lei Complementar 111, de 1º de fevereiro de 2011, que criou o Plano Diretor de Desenvolvimento Ur­bano Sustentável do Município do Rio de Janeiro.

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O insulano Wagner Victer: luta e vitória contra o PEU

Seu objetivo era definir parâmetros urbanísticos que ga­rantam a preserva­ção do modo de vida e as especificidades do bairro e adequar a legislação de uso e ocupação do solo. Desde sua divulgação, no entanto, provocou muita polêmica, com apoiadores e opositores. Os parlamentares eleitos pela Ilha apoia­vam o PEU, mas mui­tos insulanos, entre os quais o engenheiro Wagner Victer, mora­dor do bairro, fizeram ferrenha campanha contra, tanto nas audi­ências públicas quanto nas redes sociais.

— Publicamente e de maneira firme me posicionei contra o então Prefeito Edu­ardo Paes, que é meu amigo pessoal, dizen­do que, como mora­dor, não aceitaria sob nenhuma hipótese modificações propos­tas que foram feitas sem avaliar impactos na ifraestrutura, tais como no trânsito in­terno e no acesso, no abastecimento de água e esgoto, no for­necimento de energia elétrica e na oferta de outros serviços, como educação e saúde. O projeto do PEU trazia absurdos claros, que aumentavam o adensamento do bairro, revendo regras tra­dicionais da Ilha do Governador estabe­lecidas no passado pelo então Prefeito Marcos Tamoyo, com um imóvel no máximo para cada 100 metros quadrados de área de terreno, permitin­do a criação de vilas multifamiliares, sem estacionamentos, o que geraria um com­pleto caos no acesso ao bairro e um co­lapso no sistema de infraestrutura. Com as novas regras do PEU as casas tradi­cionais e históricas da Ilha do Governador do século passado e que compõem a arquitetu­ra pitoresca do nosso bairro seriam demo­lidas pela especula­ção imobiliária para construção de unida­des multifamiliares, gerando um efeito devastador — explicou Wagner Victer.

Victer disse ainda que “esse é um mo­mento para celebrar e não para apresentar vitoriosos ou derrota­dos”:

— Mas não posso deixar de destacar a ação de dois vere­adores, na Câmara Municipal, que se em­penharam profunda­mente contra o pro­jeto e muitas vezes colocaram emendas que eu sugeri: César Maia, ex-Prefeito do Rio, e Jeferson Moura, que não está mais na Câmara. Quero também destacar o acerto e a coragem do Prefeito Marcelo Crivella em tomar a decisão de recolher o projeto da Câmara e arquivar esse PEU. Ele teve uma atitu­de correta e sensível com essa questão que impacta o nosso bairro — reconheceu Wagner Victer.

Nessa entrevista ao Jornal GOLFINHO, Wagner Victer tornou público o seu agrade­cimento a mais duas pessoas:

— Nesses últimos meses, em função dos argumentos que le­vei, da própria popu­lação, duas pessoas atuaram para rever­ter esse absurdo: o Subsecretário Carlos Portinho, meu amigo pessoal, que já foi Secretário Municipal de Habitação, e o Se­cretário Municipal de Urbanismo e Obras, Índio da Costa. Nos últimos meses, fiz reuniões com eles, que cuidam do tema. Trocamos diversos e-mails e, diante de todas as ponderações e evidências objeti­vas, ambos soube­ram, como agentes públicos, conduzir esse tema com sen­sibilidade e carinho.

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