Foco na Ilha

Fiação subterrânea é para ontem

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A instalação subterrânea das fiações aé­reas já é uma discussão antiga em diversas cidades e que, realmente, precisa estar em pauta! Quem nunca se questionou sobre esse tema? Em tempos de aumento do número de fotografias pelos smartphones, os horríveis fios pendurados em postes tiram a beleza da arquitetura, tendo que fazer uso de photoshop para apagar os “fiozinhos”.

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O plano de instalação subterrânea deve ser cobrado às empresas concessionárias, como as de energia elétrica e de telefonia. E a atenção deve ficar redobrada em cidades e bairros históricos, como a Ilha do Governador, que acaba de completar 450 anos e possui um apelo especial para a retirada dos fios aéreos neste bairro de origem colonial! Recentemente, fui tirar uma foto da Igreja da Nossa Senho­ra da Ajuda, na Freguesia e os fios também protagonizaram a cena. Um crime contra o templo que foi erguido à beira-mar, entre os anos de 1710 e 1741, tombada em 1898 pelo patrimônio histórico.

Os cariocas merecem uma vista livre de fios. O Rio, uma cidade tão linda, turística e histó­rica, deveria já estar no mesmo patamar que Paris e Londres, onde não há poluição visual, principalmente nas áreas turísticas e tomba­das. Quem vive nas comunidades enfrenta ainda mais o problema, pois, ali, os fios são abandonados pelas empresas e se formam um grande emaranhado aéreo, próximo a lajes e casas, muitas vezes causando acidentes.

Não há um trabalho de diminuição dos fios e postes desnecessários por empresas como a Light. Não há preocupação com eliminação dos fios que já não são mais ativos, sejam os de telefonia, luz ou internet. As empresas são privadas, já pagamos caro pelos serviços e não podem querer nos negar esse direito. Os custos para o enterramento não devem implicar em um aumento na tarifa e pode e deve ser feito progressivamente. Isso deve ser um compro­misso com a vida, com a natureza e com os patrimônios históricos.

Os números são absurdos: em nossa cidade existem cerca de 450 mil postes. Desse total, apenas um pouco mais de 10% pertencem à RioLuz, companhia municipal de energia e ilu­minação, que já enterrou mais de 11 mil pontos de passagem de cabos de luz nos últimos anos.

A cidade de São Paulo tem planos de ver toda a sua instalação elétrica enterrada pela Eletropaulo. As vantagens para o sistema e a população são muitas, a começar, claro, pela segurança, além de contribuir também com a natureza. No Rio, as empresas de luz muitas vezes fazem as podas nas árvores, um crime contra o meio ambiente, já que, na maioria das vezes, essas podas não são bem feitas.

Pesquisando sobre o tema, me informei que, em 2011, o então Prefeito Eduardo Paes baixou um decreto estabelecendo que todas as novas obras executadas na cidade deveriam ter, em um prazo estabelecido, 100% da fiação subter­rânea, evitando a poluição visual e facilitando a manutenção. Mas a principal usuária da rede de cabos da cidade, a concessionária Light, recorreu da decisão e conseguiu uma liminar no Supremo Tribunal Federal que invalidou o decreto. Quando a Light ganhou essa liminar, as outras operadoras também conseguiram, e a cidade do Rio de Janeiro perdeu o poder de pressionar as empresas para fazer o enterramento dos fios.

Todos nós temos uma grande perda na qualidade de vida. Nesta importante pauta, eu pretendo até encaminhar, como cidadã, para ser abraçada pelos parlamentares da Câmara Municipal, para que essas obrigações às con­cessionárias tenham um cronograma e planeja­mento em nossa cidade, já que o ordenamento do uso do solo urbano cabe ao poder municipal!

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