A Palavra do Comodoro

Descaso total na saúde: o Hospital Evandro Freire não pode fechar

Palavra do Comodoro

O Hospital Evandro Freire tem uma história de luta e conquista que começou bem lá atrás, ainda no primeiro mandato do ex-Prefeito César Maia. Na época a população da Ilha do Governador só dispunha de um hospital de emergência, o Paulino Werneck, que, apesar de seu histórico de bons serviços prestados, não tinha mais estrutura – nem de recursos materiais nem de humanos – para atender o grande número de moradores do nosso bairro.

Como insulano, Vereador e líder do Prefeito na Câmara Municipal, senti-me na obrigação de levar essa reivindicação ao César Maia, explicando a extrema necessidade de se construir um novo hospital na Ilha e compro­vando que essa demanda, além de necessária e justa, era imperiosa. O Prefeito concordou com nossa solicitação, mas havia um senhor problema: encontrar uma grande área, de fácil acessibilidade, para a sua construção.

Tivemos então a ideia de sugerir à Prefeitura que comprasse o terreno onde havia funcionado a Sodinava, concessionária da Volkswagen, que havia fechado. Como o advogado do espólio da família Cury era o nosso amigo Celso Sardinha, as negociações evoluíram bem.

O terreno foi comprado pela Prefeitura, mas as obras só começaram a ser realizadas bem depois, já na gestão do ex-Prefeito Eduardo Paes, com quem insisti diversas vezes, com o apoio do Wagner Victer e de outros amigos, como o Alexandre Furlanetto e meu saudoso tio Antônio Pinheiro, além do próprio Jornal GOLFINHO, nesse sentido. Eu, pessoalmente, fiz ver ao Eduardo Paes que era inconcebível que um bairro com quase 300 mil moradores não possuísse um hospital de emergência, pois o Paulino Werneck estava subdimensionado e aquém do que os moradores necessitavam.

Graças aos excelentes planejamentos e estudos da equipe do Prefeito Edu­ardo Paes, as obras foram levadas adiante e o Evandro Freire foi inaugurado em primeiro de março de 2013. Através de licitação promovida pela Prefeitura, a organização social CEJAM (Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim) venceu a disputa e passou a administrar o novo hospital, dotado de modernos equipamentos e de um excelente corpo médico e técnico, que há mais de quatro anos vem atendendo os insulanos e moradores de bairros próximos – e até da Baixada Fluminense.

Toda essa luta, toda essa conquista não pode ser ignorada. O Evandro Freire é um bem da Ilha do Governador. Os moradores não merecem ser assustados com essa terrível perspectiva que vem sendo anunciada, que ele pode fechar as portas porque a Prefeitura não vem repassando regularmente os recursos financeiros para que a Cejam cumpra com os seus compromissos, principalmente com o pagamento dos salários dos funcionários. Os fornecedores e prestado­res de serviços também precisam receber seus pagamentos em dia, para que possam continuar cumprindo as suas partes nos contratos. A saúde é um direito inalienável do cidadão, garantida pela Constituição Federal.

Esperemos que esse problema seja equacionado rapidamente, que a situação se normalize e que nunca mais paire essa ameaça sobre os moradores da Ilha do Governador e qualquer outra região de nossa cidade. Esse descaso tem que cessar!

JOSÉ MORAES

Comodoro

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