Saúde

Continua caótica a situação na rede municipal de saúde

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CLÍNICAS DA FAMÍLIA FUNCIONAM COM APENAS 30% DO PESSOAL: PROTESTO PELO ATRASO NO PAGAMENTO DE SALÁRIOS E CONDIÇÕES DE TRABALHO

A crise na saúde pública municipal con­tinua, submetendo a população a condi­ções humilhantes de atendimento. Além do contínuo atraso no pa­gamento dos salários, a verba que a Prefei­tura tem destinado aos hospitais e clínicas da família é insufi­ciente para a compra de medicamentos e insumos. Em algumas unidades, os próprios pacientes é que têm feito doações desses materiais.

Rio de Janeiro - O diretor do Cremerj, Nelson Nahon Nunes fala durante reunião no Cremerj para propor estado de calamidade pública na saúde do Rio de Janeiro (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Dr. Nelson Nahon, presidente do Cremerj

O presidente do Cremerj (Conselho Regional de Medicina do RJ), Nelson Nahon, disse ao Jornal GOL­FINHO que “a situa­ção da rede municipal de saúde é extremamente grave”:

— No fim de 2017, o Prefeito Crivella contingenciou 10% do orçamento da saúde, perfazendo R$ 543 milhões. O da saúde foi o maior corte, entre todas as secretarias. Ele disse que a queda na arre­cadação foi de 3%; então, por que cortou 10% das verbas? O resultado é que co­meçou a atrasar o repasse para as OS – e não discuto aqui se a solução das OS é a melhor ou não. Com isso, fizemos vistorias em hospitais e clíni­cas de saúde e verifi­camos que 63% dos medicamentos estão zerados. Além disso, a estrutura das clíni­cas da família quar­teirizam os serviços de ultrassom e raios X. Esses prestadores de serviços estão há seis, sete meses sem receber. Assim, logicamente, reduzi­ram a atenção. No fim de 2017, no Hospital Evandro Freire teve até redução de leitos e de plantões. Por isso os médicos estão em greve, mantendo apenas 30% de plan­tão. E não estão em greve reivindicando aumentos não, estão em greve para rece­ber seus salários em dia.

O presidente da So­merj (Sociedade Médi­ca do RJ), Benjamim Baptista, lembrou que, “salvo raras exceções, o atendimento na rede pública deixa muito a desejar:

— Faltam recursos humanos, equipa­mentos e insumos. Recentemente, o Prefeito até apelou para que os funcio­nários fossem buscar os medicamentos no depósito, porque a Prefeitura não conse­guia entregar nas uni­dades. Fechamento de unidades de saúde e atrasos dos salários não nos deixam ex­pectativa otimista!

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Dr. Benjamim Baptista, presidente da Somerj

Rômulo Capello, presidente da Socie­dade dos Médicos da Ilha (Somei), disse que “enquanto não houver uma valoriza­ção dos profissionais de saúde e salários em dia, não vamos sanar esses proble­mas que estão acon­tecendo”:

— Nossos governantes devem se conscientizar que saúde é apartidária e não pode ser tra­tada como política de governo. Como presidente da Somei, sinto-me na obriga­ção de lutar por uma saúde melhor para todos nós, cidadãos.

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Dr. Rômulo Capello, presidente da Somei

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