Foco na Ilha

A exclusão dos Correios

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Quem mora em comunidade infelizmente ainda não têm o direito de receber suas cartas em casa. Os Correios ainda implantam muita dificuldade e não vejo nenhuma preocupação deste órgão federal em ajudar a oferecer mais dignidade para os moradores que pagam im­postos como qualquer outro cidadão do “as­falto”. Acompanho o esforço de muitos para acabar com os diversos tipos de exclusões que sempre existiram nas comunidades cariocas. Mas, em algumas áreas, esse sentimento ainda persiste; uma delas é o recebimento regular de correspondências.

Tal fato não é conhecido por parte da popu­lação, mas quem mora em comunidade sabe a dificuldade que é em receber uma simples correspondência — em especial os idosos, que não possuem outras formas modernas de se comunicar e receber seus boletos como e-mails. Além da revolta em não poder contar com um serviço público, que deveria ser universal, ainda existe o risco de prejuízo: o desvio de algumas correspondências pode levar à perda de uma oportunidade de emprego, ao não cumprimento de obrigações judiciais ou à inclusão indevida em cadastros de mau pagadores.

Atualmente, na maioria das comunidades do Rio, a entrega de correspondências é realizada através das associações de moradores. Se com­prometidas e organizadas, podem funcionar até como solução paliativa de trabalho em apoio aos Correios, com a criação de um “carteiro comunitário”, de preferência morador daquela região, atuando como carteiro e se responsa­bilizando pelo serviço nas comunidades.

O processo de cidadania porque passou e passa as comunidades do Rio garante acesso a serviços básicos, como iluminação pública, drenagem, energia elétrica, água, telefonia e coleta de lixo. Mas ainda falta os dos Correios. Vou citar as comunidades da Praia da Rosa e Sapucaia, onde fui nascida e criada, e que é uma região plana da Ilha, com ruas definidas, asfaltadas e urbanizadas pelo então Programa Favela Bairro, sem qualquer obstáculo logístico ou de segurança que impeça a distribuição de correspondências. Assim, enviei, algum tempo atrás, uma “carta registrada” ao presidente dos Correios solicitando este direito aos nossos moradores, mas nunca obtive resposta e, pos­sivelmente, nunca vou ter. Poucos mostraram interesse nessa luta que atrapalha, e muito, a vida de milhares de moradores das nossas comunidades insulanas e de todo o Rio.

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