O Passado no Presente

Histórias de ônibus

O PASSADO NO PRESENTE

Com a inauguração, em 1949, da ponte de ligação entre a Ilha e o continente, surgiu a necessidade da implantação de uma linha de ônibus que atendesse aos moradores do bairro. É verdade que já havia uma linha de ônibus que circulava da Ribeira até o Galeão, de propriedade do Sr. Emygdio Luiz de Freitas. Porém, seus veículos antigos e mal conserva­dos não atenderiam às novas necessidades de transporte da população. Para remediar a situação, a Empresa Municipal de Ônibus (EMO), atendendo a um convite da Prefeitura, implantou, em caráter provisório, uma linha de ônibus fazendo a ligação Praça Mauá–Galeão e uma outra, ligando o Galeão à Freguesia, via Ribeira. A necessidade de uma baldeação, feita defronte a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e Pompéia, na Praia do Galeão, e a precariedade dos veículos, não durou muito tempo e, em agosto de 1949, foi criada a Transportes Paranapuan, que tinha como acio­nistas os mesmos proprietários da EMO. Antes de formada a frota, os chassis Scania Vabis ficaram estacionados na Praia do Galeão com uma faixa em que determinado candidato a vereador os apresentavam como um presente oferecido aos moradores da Ilha. Logo de início surgiu um problema inesperado: cumprindo as determinações da Inspetoria de Trânsito, os motoristas e trocadores deveriam usar um uni­forme de trabalho padronizado, composto por uma calça e camisa caqui, com gravata preta, semelhante ao uniforme dos fuzileiros navais, o que servia de justificativa para uma série de atritos e xingamentos entre os militares e os funcionários da Paranapuan, que eram muitas vezes confundidos. A situação foi resolvida – ou pelo menos pensavam assim – com a adoção de um novo uniforme, composto por uma gravata bege e um quepe caqui. Desta vez, foram os militares da Aeronáutica que se sentiram ofen­didos com a semelhança de seus uniformes. Houve a necessidade de várias reuniões entre os comandantes e os dirigentes da Paranapuan em busca de uma solução, que só foi encontrada com a adoção de uma gravata azul-marinho.

Porém, os moradores da Ilha não estavam satisfeitos era com o preço das passagens, bem superiores àquelas cobradas pelas barcas ou pelos bondes. A reação não demorou. Naquela época, não havia roletas nem fichas e o valor das passagens era depositado em dinheiro, em uma caixa coletora à vista do motorista. Para permitir que tal sistema funcionasse, um funcionário tro­cava as cédulas por moedas divisionárias, sendo por isto chamado de “trocador”. Aproveitando-se de que a passagem tinha sido recentemente aumentada para Cr$ 5,50, muitos passageiros passaram a rasgar as notas de R$ 5,00 ao meio, depositando na caixa coletora a metade de uma nota, acompanhada de uma moeda de Cr$ 0,50 na ida e depositando a outra metade na viagem de volta, o que obrigava a empresa a deslocar funcionários que, durante o expediente, procu­ravam avidamente “casar” as duas metades da nota, de modo a que pudessem ser coladas e reaproveitadas. A solução veio somente com a adoção de fichas vendidas aos passageiros e com a mudança de função do “trocador”, que passou a ser de “cobrador”.

Ônibus da Paranapuan, com o motorista uniformizado, em foto de 1951

Ônibus da Paranapuan, com o motorista
uniformizado, em foto de 1951

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