Se formos perguntar a nós mesmos qual o verdadeiro significado do Natal... está aí uma boa oportunidade para uma reflexão generosa, que vale a pena ser feita. Afinal, o que significa Natal para você, caro leitor?
Se a pergunta for feita a um líder religioso, um padre ou um pastor, a resposta será, certamente, ortodoxa - e muito provavelmente essa acepção é a mais correta de todos. Eles dirão que Natal significa o nascimento do Menino Jesus, que veio ao mundo para nos salvar. Esta é, realmente, a mais singela das respostas, incontestavelmente correta.
Entretanto, com o surgimento de megalópolis em todo o mundo, com a dimunuição da presença do genuíno homem do campo no interior dos países, com sua crescente migração para as megacidades, com o aparecimento desses fenômenos mais recentes de globalização, de Tecnologia da Informação, etc., muitas outras acepções da palavra Natal vêm se firmando nos corações e mentes dos seres humanos, talvez de uma forma em que nem eles mesmos - ou, melhor dizendo: nem nós mesmos - estejamos nos dando conta.
Muitos críticos imediatistas levantarão logo o dedo indicador, para acusar o consumismo desenfreado de ser o maior responsável pela banalização do Natal, com o apelo do comércio fazendo com que a opinião pública passe a confundi-lo, erroneamente, com uma dessas muitas festas pagãs.
Num certo sentido, talvez esses arautos da ortodoxia estejam cobertos de razões. Por outro lado, entretanto, a força simbólica que o Natal carrega é tanta, é tão forte, é tão poderosa, que o próprio tempo, talvez, tenha se encarregado de alargar seus limites, seus horizontes.
Reduzindo essa teoria à expressão mais simples, poderíamos dizer que, para as crianças, o Natal significa brinquedos; para os mais velhos, a oportunidade de poder reunir toda a família em um mesmo lar; para os mais glutões, uma chance de ouro para que sejam consumidas todas aquelas delícias - rabanadas, panetones, perus, pernis, castanhas, vinhos, nozes, amêndoas, passas, etc., etc., etc. - e tudo isso sem remorso. Sim, talvez esses segmentos estejam se esquecendo - ou deixando um pouco de lado - o sentido cristão da palavra Natal. Não vejo como um pecado que o imaginário coletivo associe todas essas coisas - brinquedos, família, comes-e-bebes - ao Natal. O Natal também é um pouco de tudo isso. Desde que as pessoas não se esqueçam do quanto é bom ser solidário, do quanto é importante termos noção das desigualdades e do sofrimento de algumas parcelas de nossos irmãos - e que façam alguma coisa, tenham alguma atitude para mudar esse quadro. De maneira discreta, é lógico. Quem realmente deseja fazer o bem, do fundo do seu coração, não quer, de modo algum, publicidade disso. E há muitas, há inúmeras maneiras de se fazer o bem. A criatividade do ser humano é imensa e o Natal, entre outras coisas boas, nos ajuda muito a refletir.
Lembro, nesse momento, das milhões de pessoas que sofrem em hospitais do mundo inteiro, com doenças incuráveis. Lembro das milhões de pessoas que passam fome, que sentem frio, que sofrem com as intempéries da Natureza, daqueles que se encontram presos, dos pais que perdem seus filhos. Lembro, enfim, de um mundo cruel e muito injusto e daqueles que se tornam frios, ambiciosos, insensíveis, afastados do mundo, onde deveria prevalecer sempre um relacionamento fraterno entre as pessoas.
Queria lembrar também, nesse momento, da bondade de Deus, quando me proporcionou a alegria maior que um ser humano pode ter, que é o nascimento de um filho. O Cauã me trouxe uma nova força e alegria para o nosso lar. Para a minha esposa Viviane, todos os meus familiares e especiais amigos, como também para os nossos queridos sócios e os moradores da Ilha, desejo que Deus possa trazer paz, saúde e felicidade. Um feliz Natal e um ótimo 2012.
JOSÉ DE MORAES CORREIA NETO
Comodoro
|