A Organização das Nações Unidas informou, oficialmente, que, no último dia 31 de outubro, a população do planeta Terra atingiu a marca de 7 bilhões de pessoas. E as previsões da ONU são de que em 2050 a Terra chegue a 9,3 bilhões e, no fim deste século, a 10 bilhões de habitantes.
O nosso Brasil, o quinto maior em área do mundo (atrás de Rússia, Canadá, China e Estados Unidos), com 8.512.000 de quilômetros quadrados, tem, segundo o Censo 2010 do IBGE, 192 milhões de habitantes. Se formos comparar nossos números com os da China, que tem uma extensão territorial (9.600.000 de quilômetros quadrados) pouco maior do que a nossa, mas uma população de 1 bilhão e 300 mil pessoas (sete vezes superior à nossa), veremos que a diferença é gritante. Ainda mais se levarmos em consideração o fato de que, na China, o Governo, de índole autoritária, tem uma política de controle populacional, baseada no conceito de “uma criança por família”... Imaginem se o Governo não adotasse políticas de planejamento familiar...
Se formos analisar as condições de vida dos habitantes dos países componentes do chamado Chifre da África, localizados no nordeste desse continente - Somália, Djibuti, Etiópia e Ertitréia -, envolvidos em eternas guerras separatistas e disputas tribais, teremos de nos envergonhar de nossa condição humana. As populações locais, principalmente crianças, jovens e mulheres, são submetidas a situações inaceitáveis de violência, fome e epidemias. E, apesar dos esforços da ONU, tais quadros parecem imutáveis, sem perspectivas de melhoria. O mundo não pode se acostumar, se anestesiar perante essas tragédias. Como bem disse o genial Caetano Veloso, “gente é pra brilhar, não pra morrer de fome”.
No Brasil, políticas públicas do Governo Federal têm conseguido reduzir o percentual de famílias que vivem abaixo da linha da pobreza. Tem havido um lento, mas firme crescimento de famílias que ascendem à classe média. Entretanto, ainda é muito comum constatarmos que, justamente no seio das famílias mais pobres é onde se encontram proles numerosíssimas, de cinco, oito, dez filhos. Essas crianças, diferentemente daquelas pertencentes a famílias mais abastadas, terão, certamente, um déficit de alimentação, de educação, de saúde, de atenção, os quais, somados, diminuirão profundamente a chance de terem um futuro melhor. E isso, definitivamente, não é justiça social.
Seria o caso, então, de o Brasil adotar o mesmo modelo posto em prática pela China? Não, acredito que não. Primeiro porque somos uma democracia, as dificuldades devem ser discutidas e depois decididas, mas nunca de forma ditatorial. E porque temos de pensar não somente a curto prazo, mas também a médio prazo. Em alguns países da Europa, como Portugal, Espanha e Itália, a renovação da população tem sido muito menor do que o desejável. Há uma grande concentração de idosos e um número cada vez menor de jovens, que representam a população produtiva. Campanhas têm sido feitas, inclusive, para estimular o nascimento de mais crianças.
No caso do Brasil, acredito, deveríamos apostar em um meio termo: ampliar a oferta de políticas públicas que permitam a vasectomia e a ligadura de trompas para aquelas famílias que optassem, conscientemente, por tal. E, ao mesmo tempo, persistirmos na continuidade das políticas de combate intransigente à miséria, com medidas sociais, de saneamento, de educação, de saúde, para que toda a infância e a adolescência brasileira possam viver num mudo de oportunidades iguais para todos. Não tenho nenhuma dúvida, até por experiência própria, de que uma família com vários filhos é muito bom, a convivência é mais rica e pródiga. Desde, é claro, que tenhamos condições de proporcionar a esses filhos as condições mínimas de dignidade para uma vida saudável e feliz. Esse é o ponto ideal, a ser atingido.
Assim, diante de todas essas constatações, pergunto: devemos festejar ou lamentar termos atingido a marca de 7 bilhões de pessoas no mundo? Não sei. Só Deus deve saber. Mas, na minha opinião, devemos refletir, com muita serenidade, sem pretendermos ser os donos da verdade, sobre isso tudo.
JOSÉ DE MORAES CORREIA NETO
Comodoro
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