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 Edição Agosto de 2010
  A PALAVRA DO COMODORO
 
A derrota de um futebol campeão
   

Neste segundo domingo de agosto se comemora, no Brasil, o Dia dos Pais. No nosso país é comum que se atribua à figura paterna a condição de “chefe de família”, embora, no mundo atual, essa responsabilidade seja cada vez mais dividida com as mães. Em muitos lares, inclusive, é a mãe a única chefe de família.

A evolução dos costumes, a conquista de direitos, a industrialização e, por último, a globalização fizeram com que as mulheres tenham passado, nos últimos anos, de simples donas de casa a também mantenedoras da casa, dividindo os ônus com seus companheiros. As famílias tiveram de se ajustar a essa nova realidade. Antigamente cabia quase que exclusivamente às mães a tarefa de educar os filhos no dia a dia, de fiscalizar suas condutas, de orientá-los nos estudos; ao pais ficava reservado o papel de uma espécie de corregedor, de uma instância superior, associada a funções punitivas: “Olha, se você não fizer o que eu estou mandando eu vou contar tudo para o seu pai quando ele chegar do trabalho” - ameaçavam as mães, para apreensão dos filhos. Puxem pela memória: não era assim que sucedia? Aliás, em alguns lares, ainda é assim que as coisas funcionam.

Entretanto, estamos no século XXI, em que células embrionárias estão sendo utilizadas para recuperar movimentos de pessoas paraplégicas; em que a tecnologia da informática se renova numa velocidade surpreendente; e em que as relações familiares estão em um processo permanente de adaptação a esse turbilhão de novidades. Assim, o papel dos pais - e aqui me refiro a pais no sentido masculino - não mais pode ser o de uma, digamos, reserva técnica, a que se recorre apenas em situações mais graves. O pai mais adequado - ou, para falarmos numa linguagem mais moderna, o pai politicamente correto - tem de estar mais presente na vida de seus filhos. Na tenra idade, na infância, na adolescência, quando ingressa na fase adulta... Deve estar ao seu lado na prática de esportes, nas horas de estudo, nos momentos de tristeza, nas comemorações em família, nos aconselhamentos e exemplos para que seus filhos se transformem em cidadãos de bem. Não criaturas perfeitas, mas responsáveis, que saibam perceber claramente a diferença entre atitudes corretas, omissas e negativas.

Principalmente nos dias de hoje, em que o fantasma das drogas é uma ameaça que pode destruir qualquer lar, por mais alicerçado que seja, é fundamental que os pais sejam companheiros de seus filhos, mas que não sejam apenas provedores, e sim que lhes imponham limites, esmiuçando claramente seus direitos e deveres.

E não são apenas as drogas que devem preocupar os pais. Infelizmente, o álcool está muito disseminado entre os jovens, que, segundo as estatísticas, a cada ano começam a se viciar ainda mais jovens. E, sabidamente, o álcool é uma das principais portas de entrada para as drogas ilícitas. Além do mais, a bebida e as drogas estão bastante asssociadas a diversas manifestações de violência, que vitimam inúmeras famílias Brasil afora.

Vigilância, eterna vigilância. Ser amigo de seus filhos, confiar neles, mas sem nunca abdicar da vigilância. Se tiver que acordar às 3 horas da manhã para checar se o seu (sua) filho (a) ainda está mesmo naquela festa, autorizada, ou se de lá, convidado por amigos, dirigiu-se para uma outra festa, que o faça: levante, ligue o carro e verifique pessoalmente, tomando a precaução, é claro, de não constranger seu filho perante os amigos. Mas você, pai, certamente saberá fazer isso, porque um dia também já foi jovem, como eu também fui. Sou pai de oito filhos- seis rapazes e duas meninas -, orgulho-me de todos eles, mas jamais deixarei de me preocupar com todos.

No Dia dos Pais, além dos meus cumprimentos a todos os pais do Iate Clube Jardim Guanabara e da Ilha do Governador, esse é o melhor presente que posso lhes desejar: um depoimento sincero, fraterno, de quem acredita que a família é o bem maior que possuímos - e que pelo bem dela devemos nos esforçar ao máximo, sempre compreensivos e vigilantes.

JOSÉ DE MORAES CORREIA NETO
Comodoro

 

 
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