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 Edição Junho de 2009
  A PALAVRA DO COMODORO
 
Vida: que vida é essa?
   

A existência de cada um de nós é formada por uma sequência de momentos. Uns bons, outros ruins, outros regulares. E isso varia de pessoa para pessoa, é claro. Alguns recebem - ou conquistam, como quiserem - um número maior de momentos felizes: outros, ao contrário.
O fato é que nossa permanência na Terra equivale à chama de uma vela. Ela fica ali, acesa, tremulando ao sabor dos acontecimentos, até que... de repente, extingue-se. Assim, exatamente assim, de uma fração de segundo para outra. Apaga-se. Termina.

Escrevo ainda sob o impacto da dolorosa perda de minha querida ex-cunhada Olga Moraes. Sim, ela deixou de ser minha cunhada, oficialmente, quando seu casamento com meu irmão Marcos terminou. Mas não deixou de ser minha amiga, como também não deixou de ser amiga do Marcos. Afinal, nossa convivência por mais de trinta anos, tanto no seio da família quanto no convívio do Iate, ensinou-me a admirar a sua tenacidade, sua força de vontade, seu caráter determinado, ensinou-me a ter orgulho por ser amigo de uma pessoa positiva, de tanta fé, um ser amável e pronto a ajudar quem dela precisasse, apesar de ter um gênio forte.
Mãe de dois sobrinhos meus, Diego e Daniel, esse último também meu afilhado, Olga sempre se preocupava com o culto ao corpo e à mente. Responsável, sabia se cuidar fisicamente, conservando-se jovem e ativa, trabalhando intensamente, curtindo os momentos felizes que a vida nos proporciona, dedicando-se com afinco à sua família.

E, de repente, como acontece com a chama de uma vela, Olga não estava mais entre nós. Acometida de um mal súbito inteiramente imprevisível, Olga deixou-nos, deixou em todos nós uma imensa saudade.

Simultaneamente, um avião da Air France, tendo a bordo 228 pessoas, sendo 58 brasileiros, saindo do Rio com destino a Paris, desaparece em pleno Oceano Atlântico. Também numa fração de segundos, duzentas e tantas pessoas partem para outra dimensão, enlutando centenas de parentes e amigos e compungindo toda a humanidade. Quantas trajetórias foram assim interrompidas, inclusive de bebês e crianças, quantos sonhos frustrados, inclusive de recém-casados, quantas expectativas, de executivos e turistas, quantas carreiras, quantas esperanças afundaram junto com o Airbus em pleno Atlântico?

Há poucos dias, uma outra perda comoveu toda a Ilha do Governador. De modo trágico, o jovem professor Leo Borges, mais conhecido como Leo D’Ilha, sócio do Iate Clube Jardim Guanabara e proprietário de uma academia, faleceu em plena baía de Guanabara, quando praticava mergulho na Ponte Rio-Niterói. Num desses mergulhos, Leo não voltou à tona. Mais uma chama que se apagava, de maneira trágica.

É por isso que indago: vida, que vida é essa? É preciso mesmo ter muita fé em Deus para encontrarmos conforto, para nos resignarmos. E é preciso, sobretudo, que valorizemos cada centelha de nossas vidas e das vidas daquelas pessoas a quem queremos bem. Porque saber viver, enfim, é um eterno exercício.

JOSÉ DE MORAES CORREIA NETO
Comodoro

 
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