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A existência de
cada um de nós é formada por uma sequência
de momentos. Uns bons, outros ruins, outros regulares.
E isso varia de pessoa para pessoa, é claro.
Alguns recebem - ou conquistam, como quiserem - um número
maior de momentos felizes: outros, ao contrário.
O fato é que nossa permanência na Terra
equivale à chama de uma vela. Ela fica ali, acesa,
tremulando ao sabor dos acontecimentos, até que...
de repente, extingue-se. Assim, exatamente assim, de
uma fração de segundo para outra. Apaga-se.
Termina.
Escrevo ainda sob o impacto da dolorosa perda de minha
querida ex-cunhada Olga Moraes. Sim, ela deixou de ser
minha cunhada, oficialmente, quando seu casamento com
meu irmão Marcos terminou. Mas não deixou
de ser minha amiga, como também não deixou
de ser amiga do Marcos. Afinal, nossa convivência
por mais de trinta anos, tanto no seio da família
quanto no convívio do Iate, ensinou-me a admirar
a sua tenacidade, sua força de vontade, seu caráter
determinado, ensinou-me a ter orgulho por ser amigo
de uma pessoa positiva, de tanta fé, um ser amável
e pronto a ajudar quem dela precisasse, apesar de ter
um gênio forte.
Mãe de dois sobrinhos meus, Diego e Daniel, esse
último também meu afilhado, Olga sempre
se preocupava com o culto ao corpo e à mente.
Responsável, sabia se cuidar fisicamente, conservando-se
jovem e ativa, trabalhando intensamente, curtindo os
momentos felizes que a vida nos proporciona, dedicando-se
com afinco à sua família.
E, de repente, como acontece com a chama de uma vela,
Olga não estava mais entre nós. Acometida
de um mal súbito inteiramente imprevisível,
Olga deixou-nos, deixou em todos nós uma imensa
saudade.
Simultaneamente, um avião da Air France, tendo
a bordo 228 pessoas, sendo 58 brasileiros, saindo do
Rio com destino a Paris, desaparece em pleno Oceano
Atlântico. Também numa fração
de segundos, duzentas e tantas pessoas partem para outra
dimensão, enlutando centenas de parentes e amigos
e compungindo toda a humanidade. Quantas trajetórias
foram assim interrompidas, inclusive de bebês
e crianças, quantos sonhos frustrados, inclusive
de recém-casados, quantas expectativas, de executivos
e turistas, quantas carreiras, quantas esperanças
afundaram junto com o Airbus em pleno Atlântico?
Há poucos dias, uma outra perda comoveu toda
a Ilha do Governador. De modo trágico, o jovem
professor Leo Borges, mais conhecido como Leo DIlha,
sócio do Iate Clube Jardim Guanabara e proprietário
de uma academia, faleceu em plena baía de Guanabara,
quando praticava mergulho na Ponte Rio-Niterói.
Num desses mergulhos, Leo não voltou à
tona. Mais uma chama que se apagava, de maneira trágica.
É por isso que indago: vida, que vida é
essa? É preciso mesmo ter muita fé em
Deus para encontrarmos conforto, para nos resignarmos.
E é preciso, sobretudo, que valorizemos cada
centelha de nossas vidas e das vidas daquelas pessoas
a quem queremos bem. Porque saber viver, enfim, é
um eterno exercício.
JOSÉ DE MORAES
CORREIA NETO
Comodoro
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