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O
que podemos dizer do nosso Raiz da Ilha deste mês?
Assim que olhamos para Pheris Abrão Rumanos,
vemos um senhor com cabelos brancos e de sorriso fácil,
passando muita ternura e sabedoria. Mas este insulano
é muito mais do que isso. Pheris nasceu no dia
10 de outubro de 1936, dentro de uma quitanda no bairro
do Zumbi: Mamãe foi fazer compras e, de
repente, entrou em trabalho de parto. Por sorte estava
no local uma lavadeira que me trouxe ao mundo
- revela.
Pheris viveu nesse bairro até os 4 anos, mudando-se
depois para o Cocotá, próximo à
Igreja São Sebastião. Em 1950, ele se
mudou para uma casa na Rua Tenente Cleto Campelo, onde
vive até hoje.
- Estou nesta casa desde menino e não saberia
viver em outro lugar. Tínhamos no quintal abacateiro,
mangueira e goiabeira, além de plantação
de legumes e verduras que saíam direto do pé
para os nossos pratos.
Pheris freqüentou três escolas na Ilha: Abeilard
Feijó, Rotary e Mendes de Moraes. Sinto
saudades até hoje dos tempos em que jogava futebol
com meus amigos no ginásio do Mendes. Nós
nos divertíamos demais, além, é
claro, das amizades que fiz. Ele relembra que
todos os dias ia para a escola de bonde, o meio de transporte
mais utilizado na época.
- Adorava entrar e sair do bonde em movimento e, em
conseqüência disto, sempre perdia os objetos
que carregava confessa.
Pheris conta que uma das coisas de que sente mais saudade
na Ilha antiga são as amizades e do valor que
se dava à elas: Quando era jovem, todos
os meus amigos freqüentavam a casa uns dos outros.
Se um de nós ficasse doente, todos sabiam e se
prontificavam a ajudar. Hoje em dia, devido ao tempo
e à distância, muitas vezes um amigo fica
doente e eu nem fico sabendo - relata.
Aos 15 anos, Pheris entrou de sócio do Esporte
Clube Cocotá, que se tornou um de seus refúgios
prediletos: Sempre que podia ia ao clube jogar
futebol. Nos fins de semana, gostava de ir aos bailes,
dançar e paquerar. Ele continua sócio
do clube até hoje, e todos os domingos de sol,
freqüenta a piscina com os netos e assiste a partidas
de futebol.
Em 1955, Pheris entrou para o serviço militar:
Tinha grande fascínio pela vida militar,
admirava demais todos os homens que serviam e defendiam
o nosso país recorda Pheris, que
serviu na Base Aérea do Galeão, e, depois
de seis meses, foi transferido para a Escola de Comando
da Aeronáutica, onde trabalhava durante o dia
e à noite fazia cursos de especialização
para Sargento.
Pheris passou dois anos na Aeronáutica e, em
1957, começou a trabalhar como comerciante, abrindo
sua própria quitanda, na Praia de Olaria, que
ele manteria até 1970. Em 1963 ele conheceu Neuza,
que, mais tarde, se tornaria sua esposa. Ela, que nasceu
no Rio mas morava em São Paulo, é o eterno
amor de sua vida.
- Desde o momento em que a vi, sabia que passaríamos
o resto da vida juntos e nem a distância conseguiria
nos separar confessa.
Depois de dois anos, Neuza deixou seu emprego em São
Paulo, retornou definitivamente para o Rio e os dois
se casaram. Dessa união nasceram Valéria,
hoje com 41 anos, Simone, de 39, e Abrão, de
37, além de dois netos: Natália, de 12
anos, e Felipe, de 7.
Em 1971 Pheris começou a trabalhar como balconista
na Casa Castor. Depois foi promovido a encarregado e
chegou a chefe de depósito. Em 1993 ele sofreu
um enfarto e foi internado no Hospital do Fundão,
ficando impossibilitado de trabalhar. Após cinco
anos, ele conseguiu se aposentar.
Atualmente, Pheris se divide entre o cuidado com os
netos, as horas de lazer no Esporte Clube Cocotá
e as atividades na Igreja: além de participar
da missa todos os domingos na Igreja São Sebastião,
Pheris faz vigília noturna de 12 horas todo o
dia 2 de cada mês na Igreja Matriz de Santana,
no Centro.
- Faço isso com o maior prazer, sem sacrifício
nenhum. A sensação que tenho quando entro
na igreja é a de bem-estar, por ficar mais perto
de Deus - comenta.
Nos finais de semana, Pheris gosta de ir ao Ilha Plaza
com a família e freqüentar restaurantes.
Ele lamenta que hoje em dia as praias da Ilha estejam
muito poluídas: Quando era menino, as praias
do Cocotá eram superconcorridas. Tanto que pessoas
de fora da Ilha vinham para cá. Eu me lembro
que pescava com sacos de batata, dividindo-os ao meio
para servir de rede, pegando peixes e camarões.
Era uma ótima forma de lazer - relembra.
O QUE MUDOU PARA MELHOR: A educação e
o crescimento do comércio e da infra-estrutura
do bairro.
O QUE MUDOU PARA PIOR: A violência, que prejudica
a vida de todos, contribuindo, inclusive, para a desvalorização
das propriedades que acabaram ficando próximas
às favelas.

NA DÉCADA DE 80, PHERIS
AINDA JOGAVA NO GRUPO DOS 40
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