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Aqueles
que acompanham as edições do Jornal GOLFINHO
já sabem: aqui nesse espaço, A Palavra
do Comodoro, sempre escrevo, em maio, sobre o
Dia das Mães. E isso há 16 anos... E cada
vez que escrevo sou tomado sempre por novas emoções,
como se fosse a primeira vez que eu fosse escrever,
enaltecendo a figura incontestavel e unanimemente admirada
das mães.
Alguns poderiam perguntar: mas ainda existe algo a ser
dito sobre as mães, para elogiá-las, que
você ainda não tenha escrito? E eu responderia,
sem hesitação: por mais que se exalte,
por mais que se escreva, por mais que se homenageie,
por mais que se proclame, por mais que se reconheça
e se seja grato às mães, tudo isso é
uma infinita migalha diante do que elas merecem.
Não gostaria de comentar aquela tragédia
recentemente acontecida em São Paulo, mas esse
é um tema recorrente em todas as rodas de conversa,
por ter chocado profundamente as famílias brasileiras,
independentemente de credo, classe social, condições
financeiras, grau de instrução, etc. Uma
das piores conseqüências desse drama pode
ser o agravamento da desconfiança nata que as
pessoas, de modo geral, já têm com as madrastas,
essas mulheres a quem o destino encarregou de criar,
educar e amar filhos que elas não geraram, mas
que descendem de seus companheiros. Logicamente, essa
é uma missão muito mais difícil,
que exige uma supersensibilidade, bastante auto-segurança
e uma dose de bom senso generosa. Se a madrasta repreende
o enteado por alguma travessura, alguém sempre
poderá comentar: ...é porque não
é filho dela; se faz vista grossa, outros
dirão: não quer se aborrecer nem
se esforçar porque não é filho
dela....
É claro que existem madrastas excelentes e outras
deficientes. Entretanto, o mesmo se poderá dizer
das mães biológicas, pois, infelizmente,
a mídia nos apresenta com freqüência
casos de mães naturais que maltratam ou até
mesmo abandonam seus filhos, às vezes até
recém-nascidos.
Por isso, chamo a atenção dos nossos leitores
para a reportagem que esta edição do GOLFINHO
publica nas páginas 20 e 21. A composição
da sociedade brasileira, neste século XXI, é
muito diferente da que existia há 100 ou 50 anos.
Casamentos desfeitos redundam, quase sempre, em novas
famílias, com filhos convivendo com madrastas
e padrastos. Se a convivência com pais biológicos
é muitas vezes conflitante, por que não
poderá haver divergências no seio de famílias
formadas a partir de um segundo ou terceiro casamento?
O importante é que haja muita tolerância,
compreensão e diálogo. Dessa forma, será
mais fácil prevalecer o amor e criar laços
fraternais verdadeiramente sólidos.
A todas as mães do Iate e da Ilha do Governador
rendo a minha melhor homenagem, fazendo votos de que
tenham um domingo feliz com seus filhos e demais familiares.
Aproveito para saudar e agradecer, com todo carinho
e gratidão, às mães de todos os
meus oito filhos, seis do sexo masculino e dois do feminino,
filhos esses responsáveis pelas melhores felicidades
que um pai pode almejar. Do fundo do meu coração,
uma lembrança sentida e uma saudade enorme de
minha queridíssima mãe, que, infelizmente,
não está mais conosco. Feliz Dia das Mães
para todas as famílias!
JOSÉ DE MORAES
CORREIA NETO
Comodoro
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