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- Devia ser umas 9
horas da noite e eu estava na cozinha. Ouvi um barulho
na sala, como se alguém estivesse arrastando
uma cadeira e, depois, a porta do quarto bateu sozinha.
Como eu moro só, pensei que fosse a minha gata,
Naia, e ainda gritei para ela ficar quieta. Logo em
seguida fui até a sala, mas vi que a Naia estava
dormindo tranqüilamente. Só fui entender
o que aconteceu mais tarde, quando vi a notícia
na TV - contou ao Jornal GOLFINHO a promotora de festas
Eliane Correia, de 54 anos, que mora de frente para
o mar, na Praia da Rosa, 393.
O epicentro do sismo, ocorrido dia 22, terça-feira,
no mar, a 215 quilômetros da cidade paulista de
São Vicente, alcançou 5,2 graus na escala
Richter, mas atingiu também o Rio de Janeiro.
Técnicos da Defesa Civil, porém, não
constataram nenhum dano em edificações
da Ilha do Governador.
- Moro na Praia da Bica, 353, no terceiro andar. Estava
vendo TV deitada no sofá da sala, quando, por
volta das 9 horas da noite, senti como que se umas três
ondas estivessem passando, uma coisa esquisita, pareciam
vibrações. Imaginei que algum caminhão
muito pesado estava passando na rua e fizera o prédio
trepidar. Não dei maior importância, pois
meu marido, minha filha, meu genro e minha neta também
estavam em casa e não comentaram nada. Só
no dia seguinte que a minha manicura comentou sobre
o abalo sísmico e eu liguei uma coisa à
outra - contou a advogada Maria Fátima Vasconcelos
da Silva, 55 anos, presidente da ONG Grupo da Solidariedade.
TREMORES E TREMORES
O tremor da noite
do dia 22 foi real, mas a Ilha sempre conviveu foi com
temores... Na história do nosso bairro, toda
vez que se aventa a hipótese de uma tragédia,
são lembrados três perigos potenciais:
os depósitos de derivados de petróleo
da Exxon, na Ribeira; um possível acidente aéreo
nas proximidades das cabeceiras das pistas do aeroporto;
e os armamentos guardados em subterrâneos do antigo
Núcleo do Parque de Material Bélico, hoje
simplesmente Parque de Material Bélico da Aeronáutica,
no Galeão. Mas - ironia... - o grande susto dos
moradores deu-se, na verdade, com a explosão
de granadas e outras armas na Ilha do Boqueirão,
defronte ao Corpo de Fuzileiros Navais, no Bananal,
no mês de julho de 1995. Como conseqüências,
muitas janelas quebradas e algumas pessoas feridas,
mas nenhum óbito.
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