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Sabe aquele tipo de promoção
pague 1 leve 2? Algo semelhante aconteceu
com o nosso Raiz da Ilha de abril, José Rubens
Drummond, 60 anos, conhecido no Iate Clube Jardim Guanabara
como Zeca da Náutica, que, em 1949, mudou-se
de Sampaio, onde nasceu, para a Ilha, em busca de melhoria
na saúde. Além disto, encontrou também
o que até hoje denomina de meu paraíso
particular.
Nascido em 10 de outubro de 1947, técnico em
administração e há 15 anos trabalhando
como Gerente de Náutica do Iate, Zeca, aos dois
anos, sofria de bronquite asmática. Após
uma consulta médica, foi sugerido colocá-lo
para praticar natação. Seus pais resolveram
mudar-se para a Ilha: Meu avô materno tinha
duas casas aqui: uma onde ele morava e outra de veraneio,
na Praia da Bandeira, que terminou virando o nosso novo
lar. Em 52, toda a família passou a viver na
Ilha, seguindo os passos de meu avô, que sempre
adorou este lugar explica.
Deste período, Zeca lembra-se da fácil
adaptação: Logo que cresci um pouco
e passei a ir para a rua sozinho, comecei a aproveitar
mais as praias, que eram maravilhosas e absolutamente
cristalinas, com direito a cavalos-marinhos, camarões,
siris e peixes diversos. Vendo as atuais condições
degradantes das praias do bairro, me desperta grande
tristeza e natural saudosismo - declara.
Outras lembranças de Zeca são as amizades
que cultivou e as experiências que viveu com os
companheiros de infância/adolescência: Lá
pelos anos 60, recordo-me das sessões de filmes
que assistíamos no galpão do senhor Fontana,
proprietário da Água Mineral Fontana,
que oferecia comes-e-bebes para a vizinhança
todas as sextas; além dos filmes, é claro.
Era muito amigo dos filhos dele, até porque a
maioria dos jovens estudava no Olavo Bilac, no Mendes
de Morais ou no Colégio Governador, no Cocotá,
como foi o nosso caso.
Segundo o próprio Zeca, uma das programações
mais badaladas era a ida aos cinemas da Ilha, que totalizavam
três: Nossos pontos de encontro mais constantes
eram os cinemas, que ficavam na Ribeira e na Freguesia.
Os Festivais Tom & Jerry, por exemplo,
serviam mesmo é para irmos namorar. Na maioria
das vezes, íamos de bonde para lá, já
que saltávamos na porta dos cinemas - destaca.
As linhas do bonde não serviram apenas para ajudar
na expansão do bairro, mas também para
uma das estripulias de Zeca e seus amigos: Usávamos
as linhas para fazermos o cerol para nossas pipas. Colocávamos
o pó de vidro na linha, dentro de meias elásticas
femininas, e corríamos para pegá-lo após
a passagem do bonde, já que carro nenhum poderia
passar depois, ou levaria todo o pó nos pneus
diverte-se.
No auge de seus 16 anos, Zeca diz que ele e seus amigos
se esbaldavam nas peladas diárias que aconteciam
no campo do Hugo, proprietário da Agência
Hugo de Automóveis. Em 1963 tive o prazer
de estar ao lado de muitos artistas. Destaco um que
foi genial: o Gonzaguinha, que veio do Estácio
para morar com o pai, o Gonzagão. Em seguida,
começamos a estudar juntos e reuníamos
os amigos na Praia da Bandeira, onde ficávamos
proseando e tocando músicas. Por sinal, foi lá
que nasceu a O trem, composição
dele que ganhou um festival estudantil. Além
desta canção, acompanhei a criação
de várias outras que vieram a se tornar clássicos
depois orgulha-se.
Zeca diz ainda que naqueles tempos todos na Ilha se
socializavam mais, eram bem festeiros e que não
havia um final de semana que não tivesse uma
festa hi-fi na casa de um dos amigos. Isto
quando não ocorriam os bailes no Jequiá,
onde seu grupo ganhou um engraçado apelido: Como
sempre chegávamos atrasados ou arrumávamos
confusões bobas nos bailes, fomos batizados de
Bloco Faz Vergonha. Foi um período
mágico para mim, tanto é que oficializei
a relação com a minha esposa, Maria Helena,
por lá, no Baile do Boi, no dia 19 de janeiro
de 1970, véspera do feriado de São Sebastião.
Hoje, estamos há 34 anos juntos, temos três
filhos (Rodrigo, José Rubens e Mariana) e dois
netos (João Pedro e Luís Felipe).
Apesar de todo o saudosismo em relação
aos velhos e bons tempos, Zeca diz que mudar daqui nunca
lhe passou pela cabeça, e que este pensamento
é consensual em toda a família: Nós
amamos a Ilha. Vim por um acaso, em busca de saúde,
e encontrei o meu paraíso pessoal. Não
saio daqui nem morto, pois já tenho o meu lugarzinho
reservado lá no Cacuia encerra.
O QUE MUDOU PARA MELHOR: O transporte e o comércio.
O QUE MUDOU PARA PIOR: A degradação desenfreada
das praias insulanas e as escassas opções
de lazer no bairro.
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