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 Edição Março de 2010
  RAÍZ DA ILHA
 
Jovan Caetano Dias
   

Ele nasceu na Ilha, morou em três lugares diferentes e acabou voltando para o seu bairro de coração. E mesmo quando estava longe, sempre passava as férias aqui, na casa de seus tios. Por essa e por outras deliciosas histórias é que o economista Jovan Caetano Dias é o nosso Raiz da Ilha deste mês.
Nascido de parteira em uma casa no Tauá, em 1941, Jovan é filho da dona de casa Wanda Nascimento e do enfermeiro José Caetano, que havia sido transferido recentemente do Hospital Souza Aguiar para o Paulino Werneck, inaugurado 6 anos antes. “Depois ele foi trabalhar como encarregado da Prefeitura no Zumbi, no terreno onde hoje está a Escola Cuba” – recorda Jovan, lembrando que, pouco tempo depois, se mudou para Botafogo.
- A Ilha era um verdadeiro paraíso. Se dependesse de mim, eu nunca havia saído daqui, mas dependia do meu pai.
Mas as férias de fim de ano eram sempre na Ilha. “Passava quase três meses aqui. Meu avô, Nico Cortiça, costumava boiar com facilidade em qualquer posição. Uma vez, ele ganhou uma aposta boiando sentado e, para tirar onda, ainda pediu um cafezinho. Por várias vezes minha mãe tinha que buscá-lo próximo da Ilha D’Água, pois ele dormia boiando e a maré o levava para longe”.
Jovan e seus primos José Guerra de Puga, o Zeca; Aloísio Descascado, Darcica, Brás, Quim e Essinho brincavam e aprontavam bastante na infância. Eles usavam folha de coqueiro para escorregar pela Rua Aquilão – que era de barro – até a Praia da Bandeira. Os passeios de bonde pela Ilha também eram sempre muito divertidos.
- Algumas vezes pagávamos passagem e outras não. O bonde andava devagar e quando o condutor vinha cobrar, nós pulávamos do carro. Eu e outras pessoas também – entrega Jovan.
A pescaria era outra diversão do nosso Raiz da Ilha. “Costumávamos pescar camarão usando saco de estopa como rede em um mangue que se formava entre o Edifício Sobre as Ondas e o terreno onde hoje está o posto do Detran. Muitas senhoras iam até lá passar aquela lama no corpo, pois diziam que era boa para a pele. A praia da Freguesia era boa para se pegar marisco”.
Outra diversão de Jovan era passear pela Ilha. “Eu andava isso tudo aqui a pé, tanto de dia quanto à noite. Íamos da Praia da Rosa até Tubiacanga, onde as areias eram as mais brancas da Ilha. Tinha amigos em vários bairros, mas eu ficava mais no Tauá, onde cheguei a morar depois que voltei para a Ilha, em 1971. Mas já vivi também nas Pitangueiras, Cocotá e Guarabu”.
A magia pela sétima arte também contagiava Jovan, que frequentava os cinemas do Guarabu e da Ribeira. A imaginação de sua turma também era fértil. “Diziam que havia um fantasma que morava em um barracão onde hoje está o Governador Iate Clube. Para entrar no grupo era preciso bater na porta e ficar esperando um tempo”.
Quando o assunto é carnaval, Jovan lembra com saudade dos bailes no Esporte Clube Cocotá, nas ruas do Cacuia e do Bloco da Shell. “Tinha também o bloco das piranhas lá do Tauá, que eu saía com meus primos e amigos pelo bairro fazendo a maior bagunça e mexendo com todo mundo”.
Já adulto, Jovan integrou o Grupo dos 40, tradicional time de peladas fundado por Paulo Baiacu, em 1979, que se reunia todos os domingos, no Esporte Clube Cocotá. “Chegamos a ter 70 jogadores inscritos. Para conseguir uma vaga na primeira partida tinha que chegar antes das 6 da manhã. E o pior era que ninguém gostava de dar vaga” – lembra Jovan, destacando uma excursão que o grupo fez na década de 80 a Lambari (MG) para enfrentar o Águas Virtuosas. “Perdemos por 5 a 2, mas, no ano seguinte, voltamos lá e vencemos por 2 a 1”.
O carinho de Jovan pelo Esporte Clube Cocotá começava nesta mesma época. Muito prestativo e inteligente, ele era sempre chamado a integrar a diretoria e, ao longo desses 30 anos, já ocupou os cargos de Diretor Social, membro do Conselho Fiscal, Vice-Presidente e Presidente, sua atual função.
O QUE MUDOU PARA MELHOR: O comércio. Agora você pode comprar tudo sem precisar sair do bairro.
O QUE MUDOU PARA PIOR: O fato de você não ter muito contato com seu vizinho. Antigamente, todos na rua se conheciam.


O GRUPO DOS 40, COM JOVAN AGACHADO (PRIMEIRO DA ESQUERDA PARA
A DIREITA) NO CAMPO DO ESPORTE CLUBE COCOTÁ, NA DÉCADA DE 80

 
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