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Ele nasceu na Ilha, morou em três lugares diferentes
e acabou voltando para o seu bairro de coração.
E mesmo quando estava longe, sempre passava as férias
aqui, na casa de seus tios. Por essa e por outras deliciosas
histórias é que o economista Jovan Caetano
Dias é o nosso Raiz da Ilha deste mês.
Nascido de parteira em uma casa no Tauá, em 1941,
Jovan é filho da dona de casa Wanda Nascimento
e do enfermeiro José Caetano, que havia sido
transferido recentemente do Hospital Souza Aguiar para
o Paulino Werneck, inaugurado 6 anos antes. Depois
ele foi trabalhar como encarregado da Prefeitura no
Zumbi, no terreno onde hoje está a Escola Cuba
recorda Jovan, lembrando que, pouco tempo depois,
se mudou para Botafogo.
- A Ilha era um verdadeiro paraíso. Se dependesse
de mim, eu nunca havia saído daqui, mas dependia
do meu pai.
Mas as férias de fim de ano eram sempre na Ilha.
Passava quase três meses aqui. Meu avô,
Nico Cortiça, costumava boiar com facilidade
em qualquer posição. Uma vez, ele ganhou
uma aposta boiando sentado e, para tirar onda, ainda
pediu um cafezinho. Por várias vezes minha mãe
tinha que buscá-lo próximo da Ilha DÁgua,
pois ele dormia boiando e a maré o levava para
longe.
Jovan e seus primos José Guerra de Puga, o Zeca;
Aloísio Descascado, Darcica, Brás, Quim
e Essinho brincavam e aprontavam bastante na infância.
Eles usavam folha de coqueiro para escorregar pela Rua
Aquilão que era de barro até
a Praia da Bandeira. Os passeios de bonde pela Ilha
também eram sempre muito divertidos.
- Algumas vezes pagávamos passagem e outras não.
O bonde andava devagar e quando o condutor vinha cobrar,
nós pulávamos do carro. Eu e outras pessoas
também entrega Jovan.
A pescaria era outra diversão do nosso Raiz da
Ilha. Costumávamos pescar camarão
usando saco de estopa como rede em um mangue que se
formava entre o Edifício Sobre as Ondas e o terreno
onde hoje está o posto do Detran. Muitas senhoras
iam até lá passar aquela lama no corpo,
pois diziam que era boa para a pele. A praia da Freguesia
era boa para se pegar marisco.
Outra diversão de Jovan era passear pela Ilha.
Eu andava isso tudo aqui a pé, tanto de
dia quanto à noite. Íamos da Praia da
Rosa até Tubiacanga, onde as areias eram as mais
brancas da Ilha. Tinha amigos em vários bairros,
mas eu ficava mais no Tauá, onde cheguei a morar
depois que voltei para a Ilha, em 1971. Mas já
vivi também nas Pitangueiras, Cocotá e
Guarabu.
A magia pela sétima arte também contagiava
Jovan, que frequentava os cinemas do Guarabu e da Ribeira.
A imaginação de sua turma também
era fértil. Diziam que havia um fantasma
que morava em um barracão onde hoje está
o Governador Iate Clube. Para entrar no grupo era preciso
bater na porta e ficar esperando um tempo.
Quando o assunto é carnaval, Jovan lembra com
saudade dos bailes no Esporte Clube Cocotá, nas
ruas do Cacuia e do Bloco da Shell. Tinha também
o bloco das piranhas lá do Tauá, que eu
saía com meus primos e amigos pelo bairro fazendo
a maior bagunça e mexendo com todo mundo.
Já adulto, Jovan integrou o Grupo dos 40, tradicional
time de peladas fundado por Paulo Baiacu, em 1979, que
se reunia todos os domingos, no Esporte Clube Cocotá.
Chegamos a ter 70 jogadores inscritos. Para conseguir
uma vaga na primeira partida tinha que chegar antes
das 6 da manhã. E o pior era que ninguém
gostava de dar vaga lembra Jovan, destacando
uma excursão que o grupo fez na década
de 80 a Lambari (MG) para enfrentar o Águas Virtuosas.
Perdemos por 5 a 2, mas, no ano seguinte, voltamos
lá e vencemos por 2 a 1.
O carinho de Jovan pelo Esporte Clube Cocotá
começava nesta mesma época. Muito prestativo
e inteligente, ele era sempre chamado a integrar a diretoria
e, ao longo desses 30 anos, já ocupou os cargos
de Diretor Social, membro do Conselho Fiscal, Vice-Presidente
e Presidente, sua atual função.
O QUE MUDOU PARA MELHOR: O comércio. Agora você
pode comprar tudo sem precisar sair do bairro.
O QUE MUDOU PARA PIOR: O fato de você não
ter muito contato com seu vizinho. Antigamente, todos
na rua se conheciam.

O
GRUPO DOS 40, COM JOVAN AGACHADO (PRIMEIRO DA ESQUERDA
PARA
A DIREITA) NO CAMPO DO ESPORTE CLUBE COCOTÁ,
NA DÉCADA DE 80
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