Edição Março de 2010
 


Rotina de apagões atormenta a vida de moradores e comerciantes da Ilha

 

Tudo começou com o apagão elétrico, que atingiu as regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, no dia 11 de novembro do ano passado: os Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás ficaram longas horas às escuras, com todas as nefastas consequências que um acidente desse porte pode causar.
Até então, na Ilha do Governador, os cortes de luz aconteciam muito esporadicamente, mas, a partir daí, a coisa desandou. Rara é a semana em que não se tome conhecimento de que o bairro tal ou as ruas tais estão completamente às escuras:
- A virada de ano aqui no Cocotá foi horrível para os moradores, que ficaram quase dois dias inteiros sem luz. Já pensou dormir com um calorão danado, sem ar condicionado nem ventilador, sem água gelada para beber, com a comida se estragando na geladeira e sem acesso à internet? - pergunta Antônio Valdevino, zelador do edifício Sobre as Ondas.
O problema foi causado porque um transformador, bem ao lado do prédio, estourou, por causa de galhos de árvore, e a Light levou quase 48 horas para fazer a substituição. Antonio Valdevino, que mora no Morro do Querosene, conta que lá os apagões também têm sido constantes.
- O pessoal liga para a Light e eles dizem que não tem previsão de conserto - reclama.
No Zumbi os cortes de energia também têm sido frequentes, desde dezembro de 2009.
- A nossa preocupação é a nível doméstico, com os aparelhos eletrônicos em geral. Às vezes já estamos relaxados, prontos para dormir, e tudo apaga de repente, causando um grande desconforto. A frequência dos cortes tem sido de duas a três vezes por mês, de dia ou de madrugada, e o retorno demora cerca de três horas - conta Rogério Marchione, morador da Rua Peixoto de Carvalho. Um vizinho de Rogério chegou a ficar 72 horas sem energia, depois que um caminhão derrubou uma fiação em frente à sua casa: “Mesmo com o procolo de reclamação feito, ele penou bastante para que a Light viesse fazer o conserto”.
O comércio também tem tido prejuízos com a rotina de apagões. Numa das vezes, no Supermercado Mundial, na Estrada da Cacuia, os clientes sofriam com o forte calor, pois os geradores só supriam a iluminação e as caixas registradoras.
Na Lanchonete Princesinha da Ilha e na Gazele Joias, ambas também na Estrada da Cacuia, os problemas se repetem, por causa da Light. Luiz Ramos, gerente da lanchonete, conta que já ficaram “até quatro horas seguidas sem luz, sem que estivesse chovendo ou ventando forte. Nesse período, chegamos a perder estoques de sorvete e frango”. Maurício Gazele, da joalheria, já sabe que a obra que está realizando na loja vai demorar mais, pois os operários precisam interromper o trabalho a cada apagão:
- E ainda tem o problema do trânsito, pois, sempre que falta luz, os sinais apagam e fica tudo um caos só - lembra Maurício.
Inaugurada há menos de um ano, a Drogaria Cristal do Guarabu, na Estrada do Galeão, às vezes deixa de vender produtos de perfumaria, em virtude dos apagões, por causa do sistema informatizado. E também alguns remédios, pois “o estoque fica às escuras, impedindo a reposição” - conta Bruno dos Santos, funcionário da drogaria.

 
BRUNO DOS SANTOS, DA DROGARIA CRISTAL: PREOCUPAÇÃO COM A INSULINA ESTOCADA


LUIZ RAMOS, DA PRINCESINHA DA ILHA, E MAURÍCIO GAZELE, DA JOIA GAZELE: PREJUÍZOS COM OS SEGUIDOS


ROGÉRIO MARCHIONE, MORADOR DO ZUMBI: SÓ RINDO PARA NÃO CHORAR COM OS ROTINEIROS APAGÕES


ANTÔNIO VALDEVINO MOSTRA O NOVO TRANSFORMADOR, JÁ AMEAÇADO NOVAMENTE POR GALHOS DE ÁRVORE

A Redação do Jornal GOLFINHO sentiu na pele a dificuldade que os moradores sentem para conseguir falar com a Light: após inúmeras tentativas infrutíferas, tivemos de desistir.

 

Após 5 dias sem luz, moradores do Boogie Woogie fecham a Estrada Rio Jequiá por 10 minutos

No dia 25 de fevereiro, quinta-feira, por volta das 13 horas, um grupo de moradores do Boogie Woogie fechou a Estrada Rio Jequiá por cerca de 10 minutos, para protestar contra cinco dias seguidos sem energia. Chegaram a queimar algumas lixeiras, mas, com a chegada de policiais do 17º BPM, o ato foi encerrado. Às 16 horas, a Light substituiu uma chave defeituosa e restabeleceu o fornecimento. Renato Lysias, presidente da AMA local, disse que os cortes têm se repetido com frequência, com duração de vários dias.


RENATO LYSIAS, PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DE MORADORES

 

 
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