Tudo começou com o apagão
elétrico, que atingiu as regiões Sudeste e
Centro-Oeste do Brasil, no dia 11 de novembro do ano passado:
os Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais,
Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás ficaram longas
horas às escuras, com todas as nefastas consequências
que um acidente desse porte pode causar.
Até então, na Ilha do Governador, os cortes
de luz aconteciam muito esporadicamente, mas, a partir daí,
a coisa desandou. Rara é a semana em que não
se tome conhecimento de que o bairro tal ou as ruas tais
estão completamente às escuras:
- A virada de ano aqui no Cocotá foi horrível
para os moradores, que ficaram quase dois dias inteiros
sem luz. Já pensou dormir com um calorão danado,
sem ar condicionado nem ventilador, sem água gelada
para beber, com a comida se estragando na geladeira e sem
acesso à internet? - pergunta Antônio Valdevino,
zelador do edifício Sobre as Ondas.
O problema foi causado porque um transformador, bem ao lado
do prédio, estourou, por causa de galhos de árvore,
e a Light levou quase 48 horas para fazer a substituição.
Antonio Valdevino, que mora no Morro do Querosene, conta
que lá os apagões também têm
sido constantes.
- O pessoal liga para a Light e eles dizem que não
tem previsão de conserto - reclama.
No Zumbi os cortes de energia também têm sido
frequentes, desde dezembro de 2009.
- A nossa preocupação é a nível
doméstico, com os aparelhos eletrônicos em
geral. Às vezes já estamos relaxados, prontos
para dormir, e tudo apaga de repente, causando um grande
desconforto. A frequência dos cortes tem sido de duas
a três vezes por mês, de dia ou de madrugada,
e o retorno demora cerca de três horas - conta Rogério
Marchione, morador da Rua Peixoto de Carvalho. Um vizinho
de Rogério chegou a ficar 72 horas sem energia, depois
que um caminhão derrubou uma fiação
em frente à sua casa: Mesmo com o procolo de
reclamação feito, ele penou bastante para
que a Light viesse fazer o conserto.
O comércio também tem tido prejuízos
com a rotina de apagões. Numa das vezes, no Supermercado
Mundial, na Estrada da Cacuia, os clientes sofriam com o
forte calor, pois os geradores só supriam a iluminação
e as caixas registradoras.
Na Lanchonete Princesinha da Ilha e na Gazele Joias, ambas
também na Estrada da Cacuia, os problemas se repetem,
por causa da Light. Luiz Ramos, gerente da lanchonete, conta
que já ficaram até quatro horas seguidas
sem luz, sem que estivesse chovendo ou ventando forte. Nesse
período, chegamos a perder estoques de sorvete e
frango. Maurício Gazele, da joalheria, já
sabe que a obra que está realizando na loja vai demorar
mais, pois os operários precisam interromper o trabalho
a cada apagão:
- E ainda tem o problema do trânsito, pois, sempre
que falta luz, os sinais apagam e fica tudo um caos só
- lembra Maurício.
Inaugurada há menos de um ano, a Drogaria Cristal
do Guarabu, na Estrada do Galeão, às vezes
deixa de vender produtos de perfumaria, em virtude dos apagões,
por causa do sistema informatizado. E também alguns
remédios, pois o estoque fica às escuras,
impedindo a reposição - conta Bruno
dos Santos, funcionário da drogaria.
|
BRUNO DOS SANTOS, DA DROGARIA CRISTAL: PREOCUPAÇÃO
COM A INSULINA ESTOCADA

LUIZ RAMOS, DA PRINCESINHA DA ILHA, E MAURÍCIO
GAZELE, DA JOIA GAZELE: PREJUÍZOS COM OS SEGUIDOS

ROGÉRIO MARCHIONE, MORADOR DO ZUMBI: SÓ
RINDO PARA NÃO CHORAR COM OS ROTINEIROS APAGÕES

ANTÔNIO VALDEVINO MOSTRA O NOVO TRANSFORMADOR,
JÁ AMEAÇADO NOVAMENTE POR GALHOS DE
ÁRVORE
A Redação do Jornal
GOLFINHO sentiu na pele a dificuldade que os moradores
sentem para conseguir falar com a Light: após
inúmeras tentativas infrutíferas, tivemos
de desistir.
Após 5 dias sem luz, moradores
do Boogie Woogie fecham a Estrada Rio Jequiá
por 10 minutos
No dia 25 de fevereiro, quinta-feira,
por volta das 13 horas, um grupo de moradores do Boogie
Woogie fechou a Estrada Rio Jequiá por cerca
de 10 minutos, para protestar contra cinco dias seguidos
sem energia. Chegaram a queimar algumas lixeiras,
mas, com a chegada de policiais do 17º BPM, o
ato foi encerrado. Às 16 horas, a Light substituiu
uma chave defeituosa e restabeleceu o fornecimento.
Renato Lysias, presidente da AMA local, disse que
os cortes têm se repetido com frequência,
com duração de vários dias.

RENATO LYSIAS, PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO
DE MORADORES
|
|