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Há inúmeras regiões e países,
no planeta Terra, que tradicionalmente são manchetes
de notícias tristes, em vista do grau de pobreza,
de fome, de subdesenvolvimento, de guerras tribais fratricidas
e que carregam o ônus de terem sofrido colonizações
desumanas. Geralmente, esses países localizam-se
na África.
Mas existe um país aqui na nossa América
- no caso, a Central - que também carrega um
estigma de sofrimento incomparável: o Haiti.
Depois de ter suas riquezas sugadas pelo país
colonizador - a França -, durante anos e anos
de dominação, o Haiti tornou-se independente,
mas nunca, realmente, seu povo beneficiou-se de políticas
públicas corretas, já que ditadores sanguinários
sucederam-se em seus governos.
A ONU foi forçada a intervir, para garantir
um mínimo de paz, devido aos conflitos políticos,
à anarquia generalizada, à total insegurança
gerada por gangues que aterrorizavam a população.
Nesse contexto, o Brasil tem exercido um papel preponderante,
com nossos militares - do Exército, Marinha e
Aeronáutica - desempenhando uma função
fundamental para o reerguimento cívico do país.
Entretanto, não bastassem as inúmeras
mazelas sociais, que vinham sendo combatidas com esforço
e perseverança pela Força de Paz da ONU,
o país viu-se vítima de um terremoto devastador,
recentemente. Aliás, há poucos anos, um
enorme furacão e grandes enchentes também
já haviam devastado grande parte da infra-estrutura
do Haiti. O terremoto, assim, veio numa sequência
trágica, uma terrível coincidência
de fenômenos climáticos devastadores -
e justamente num dos países mais pobres e sofredores
do mundo.
O Brasil foi um dos primeiros países do mundo
a enviar socorro ao Haiti. Vidas brasileiras, de militares,
diplomatas e até da incansável batalhadora
D. Zilda Arns, foram perdidas em solo haitiano. Mas
o Brasil não fugiu de seu papel solidário.
Novos contingentes de militares foram enviados ao Haiti
para tentar controlar o verdadeiro inferno em que o
país se transformou e tentar fazer com que donativos
imprescindíveis chegassem às mãos
de uma população faminta, desesperada
e sem moradia. O Governo brasileiro alocou uma das maiores
ajudas, em dinheiro, para essa missão: quinze
milhões de dólares, inicialmente, enquanto
a China, por exemplo, a segunda maior economia do mundo,
disponibilizou apenas um milhão de dólares.
Li algumas cartas, nos jornais, de brasileiros que
não concordavam com esse dispêndio, lembrando
que o Brasil também tem sido assolado por tragédias
climáticas, como em Santa Catarina e, mais recentemente,
Angra dos Reis. Concordo, plenamente, que primeiramente
temos de olhar para nossos irmãos brasileiros,
especialmente em momentos dramáticos de devastações.
Mas isso não impede, em absoluto, que também
devamos dirigir a irmãos de outros países
a nossa solidariedade. Somos brasileiros, sim, mas somos
também habitantes do planeta Terra.
É certo que o Brasil carece de recursos para
implementar todas as necessidades básicas de
nosso povo, mas há que se considerar a dimensão
de todas essas tragédias: durante o furacão
e as enchentes de Santa Catarina, o número de
mortos foi de 165; em Angra dos Reis, cerca de 60 pessoas
perderam suas vidas. Mas no Haiti, caros leitores, estima-se
que tenham morrido cerca de 150 mil pessoas.
Portanto, acho que todos devemos raciocinar mais com
senso humanitário e ajudarmos, na medida de nossas
possibilidades, o povo haitiano. Parabenizo, por isso,
a campanha lançada pelo Lions Clube, que está
recolhendo doações de água, em
garrafas de um litro e meio (ler matéria na página
33), para serem enviadas ao Haiti. Essa é uma
medida concreta, plausível e que deve contar
com a solidariedade do povo insulano.
JOSÉ DE MORAES CORREIA NETO
Comodoro
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