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 Edição Março de 2010
  A PALAVRA DO COMODORO
 
Solidariedade ao Haiti: questão de humanidade
   

Há inúmeras regiões e países, no planeta Terra, que tradicionalmente são manchetes de notícias tristes, em vista do grau de pobreza, de fome, de subdesenvolvimento, de guerras tribais fratricidas e que carregam o ônus de terem sofrido colonizações desumanas. Geralmente, esses países localizam-se na África.

Mas existe um país aqui na nossa América - no caso, a Central - que também carrega um estigma de sofrimento incomparável: o Haiti. Depois de ter suas riquezas sugadas pelo país colonizador - a França -, durante anos e anos de dominação, o Haiti tornou-se independente, mas nunca, realmente, seu povo beneficiou-se de políticas públicas corretas, já que ditadores sanguinários sucederam-se em seus governos.

A ONU foi forçada a intervir, para garantir um mínimo de paz, devido aos conflitos políticos, à anarquia generalizada, à total insegurança gerada por gangues que aterrorizavam a população. Nesse contexto, o Brasil tem exercido um papel preponderante, com nossos militares - do Exército, Marinha e Aeronáutica - desempenhando uma função fundamental para o reerguimento cívico do país.

Entretanto, não bastassem as inúmeras mazelas sociais, que vinham sendo combatidas com esforço e perseverança pela Força de Paz da ONU, o país viu-se vítima de um terremoto devastador, recentemente. Aliás, há poucos anos, um enorme furacão e grandes enchentes também já haviam devastado grande parte da infra-estrutura do Haiti. O terremoto, assim, veio numa sequência trágica, uma terrível coincidência de fenômenos climáticos devastadores - e justamente num dos países mais pobres e sofredores do mundo.

O Brasil foi um dos primeiros países do mundo a enviar socorro ao Haiti. Vidas brasileiras, de militares, diplomatas e até da incansável batalhadora D. Zilda Arns, foram perdidas em solo haitiano. Mas o Brasil não fugiu de seu papel solidário. Novos contingentes de militares foram enviados ao Haiti para tentar controlar o verdadeiro inferno em que o país se transformou e tentar fazer com que donativos imprescindíveis chegassem às mãos de uma população faminta, desesperada e sem moradia. O Governo brasileiro alocou uma das maiores ajudas, em dinheiro, para essa missão: quinze milhões de dólares, inicialmente, enquanto a China, por exemplo, a segunda maior economia do mundo, disponibilizou apenas um milhão de dólares.

Li algumas cartas, nos jornais, de brasileiros que não concordavam com esse dispêndio, lembrando que o Brasil também tem sido assolado por tragédias climáticas, como em Santa Catarina e, mais recentemente, Angra dos Reis. Concordo, plenamente, que primeiramente temos de olhar para nossos irmãos brasileiros, especialmente em momentos dramáticos de devastações. Mas isso não impede, em absoluto, que também devamos dirigir a irmãos de outros países a nossa solidariedade. Somos brasileiros, sim, mas somos também habitantes do planeta Terra.

É certo que o Brasil carece de recursos para implementar todas as necessidades básicas de nosso povo, mas há que se considerar a dimensão de todas essas tragédias: durante o furacão e as enchentes de Santa Catarina, o número de mortos foi de 165; em Angra dos Reis, cerca de 60 pessoas perderam suas vidas. Mas no Haiti, caros leitores, estima-se que tenham morrido cerca de 150 mil pessoas.

Portanto, acho que todos devemos raciocinar mais com senso humanitário e ajudarmos, na medida de nossas possibilidades, o povo haitiano. Parabenizo, por isso, a campanha lançada pelo Lions Clube, que está recolhendo doações de água, em garrafas de um litro e meio (ler matéria na página 33), para serem enviadas ao Haiti. Essa é uma medida concreta, plausível e que deve contar com a solidariedade do povo insulano.

JOSÉ DE MORAES CORREIA NETO
Comodoro

 
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