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Toda a imprensa informou, pormenorizadamente, sobre
a Conferência do Clima realizada recentemente
em Copenhague, patrocinada pela ONU. Tanto os países
desenvolvidos quanto os emergentes e os mais pobres
concordam, teoricamente, que muitas providências
têm que ser tomadas diante da calamidade que é
o aquecimento global, o desmatamento, o derretimento
das geleiras, a elevação desmedida das
marés, os furacões, as enchentes... e
outros fenômenos que vêm apavorando as pessoas
conscientes e que se preocupam com o mundo que vão
deixar para seus filhos e netos..
O problema é que, de concreto, absolutamente
nada foi decidido. Apesar dos esforços de grupos
ecológicos e de ONGs ambientalistas, os governantes
resistiram, desconversaram, com cada um agarrando-se
a seus pontos de vista inamovíveis - e não
se chegou a um consenso quanto ao percentual de gases
emanados que é imperioso diminuir.
É necessário que os habitantes da Terra,
independentemente dos países em que vivam, conscientizem-se
da grave ameaça que o aquecimento global representa
para a vida do planeta e, consequentemente, pressionem
as autoridades governamentais para que tomem providências
sensatas e urgentes, a curto, a médio e a longo
prazo, para reverter esse quadro assustador. Mais do
que isso: é necessário que cada pessoa
faça também a sua parte, individualmente,
em benefício do meio ambiente.
Recentemente, a população carioca foi
colocada frente a frente com um problema que a cada
dia se torna mais dramático e preocupante: a
enorme quantidade de lixo jogada em via pública
pelos próprios moradores desta cidade, cantada
em verso e prosa como Cidade Maravilhosa. Mas maravilhosa
como, se nossas calçadas, independentemente se
no Centro, na Zona Norte ou na Zona Sul, mais se parecem
com lixeiras? Maravilhosa no que toca à Natureza,
sem dúvida nenhuma. O Criador estava realmente
inspirado quando esculpiu o Rio de Janeiro, entre mares
e montanhas. Nossa beleza, realmente, é incomparável.
Mas nosso povo - e aqui incluo os cariocas e os irmãos
de outras cidades e estados, que escolheram o Rio para
viver - vem se portando de maneira muito mal educada,
maltratando nossas ruas, praças, praias, rios,
encostas, florestas. O que se joga de guimba de cigarro
no chão, com a maior sem-cerimônia, é
espantoso! E também sacos plásticos, tampinhas
de refrigerantes e cervejas, copos descartáveis,
prospectos de propagandas, etc. Quando chove mais forte,
as galerias, entupidas, não dão vazão
à quantidade de água que desaba. Nos morros,
muitas casas desabam em função do lixo
descartado indevidamente em qualquer lugar, causando
tragédias e muitas dores às famílias.
Recentemente, o Prefeito Eduardo Paes teve até
de ameaçar não recolher, por apenas um
dia, o lixo jogado nas ruas pela população,
para que pudéssemos ter a exata noção
desse descalabro.
Em breve, sediaremos a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos.
Não basta que tenhamos estádios monumentais,
praias maravilhosas, transporte eficiente, uma boa rede
de hotéis, um povo anfitrião e alegre.
É fundamental também que nossas ruas e
praças sejam limpas, higiênicas, saudáveis.
E isso, decididamente, não depende só
dos governos.
Vamos conversar sobre isso uns com os outros? Vamos
colocar esse assunto em pauta, fazendo dessa campanha
uma agenda pró-ativa? O carioca é inteligente
e sabe que esse quadro negativo pode ser perfeitamente
revertido, com esforço, conscientização
e parceria entre governo e povo. Afinal, o Rio de Janeiro
merece!
JOSÉ DE MORAES CORREIA NETO
Comodoro
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