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 Edição Janeiro de 2012


Funasa não renova contrato de cuidadores dos internos da Casa do Índio; funcionários trabalham há dois meses sem receber

A situação dos 32 indígenas residentes na Casa do Índio, na Ribeira, continua calamitosa. Através de um convênio com a Associação Rondon Brasil, de Santa Catarina, a Funasa mantinha 14 cuidadores trabalhando na Casa do Índio, mas o contrato expirou no dia 31 de outubro de 2011 e a Funasa não o renovou nem providenciou a sua substituição. Esses funcionários - que são encarregados de dar os remédios aos índios ali internados, bem como de cuidar da sua alimentação e higiene e manter o prédio, as roupas e louças limpos -, penalizados com a situação dos doentes, resolveram continuar trabalhando mesmo sem receber salários, em solidariedade à indigenista Eunice Cariry, fundadora e diretora da instituição.

- Esses funcionários têm um bom coração, não aceitaram abandonar os índios doentes à própria sorte. Entre os internos há crianças e idosos, índios com paralisia cerebral, que não saem da cama, precisando de cuidados especiais. Há doentes mentais que pesam mais de 100 quilos, é difícil e sacrificante, por exemplo, dar banho e fazer a higiene nessas pessoas, 24 horas por dia. Esses funcionários, abnegados, viram que eu, com mais de 70 anos, por mais que me esforçasse, não conseguiria fazer tudo isso sozinha e, por isso, decidiram continuar trabalhando, mesmo sem receber da Funasa. Se não fossem eles e os moradores da Ilha, que abastecem a Casa do Índio de alimentos e material de limpeza, não sei o que seria dos meus índios doentes - explica Eunice Cariry, lamentando a extrema insensibilidade da Funasa.

A única luz no fim do túnel, segundo Cariry, são os esforços que a Associação dos Amigos da Casa do Índio, juntamente com o ex-Superintendente da Infraero no Aeroporto Internacional Tom Jobim, Pedro Azambuja, estão fazendo junto ao Ministério da Justiça:

- Como a Funai é subordinada ao Ministério da Justiça, o Dr. Pedro Azambuja está tentando fazer com que ela entre no circuito, assumindo a sua responsabilidade e corrigindo todos esses erros. Mas até quando esses 14 cuidadores poderão continuar trabalhando sem receber um tostão? - indigna-se Eunice Cariry.

   
   
 
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